Versace para Riachuelo X Stella para C&A, uma modesta opinião
10 de novembro de 2014 POR Jojo COMENTA AQUI!
Semana passada rolou São Paulo Fashion Week. Foram mais de 30 desfiles distribuídos ao longo de 5 dias. Cinco dias em que o povo da moda ferveu pra cima e pra baixo, trabalhou pra caramba, festejou pra caramba e botou todos os melhores outfits pra jogo.

Felizmente, ou infelizmente, não sei ao certo, eu não faço parte desse grupo de íntimos que lidou bem de pertinho com o evento. Não fui a nenhum desfile, nem a nenhuma festinha, não badalei e ainda arranquei um ciso na quarta-feira.

Eu confesso que não sou das que mais acompanha os desfiles, mas, essa semana em especial, dois eventos fashionísticos foram tão badalados que invadiram a minha timeline e, mesmo sentada e sem dente lá no meu sofá, eu não tive como não prestar atenção.

Foram eles, em ordem cronológica, a coletiva de pré-lançamento da coleção da Stella Mccartney para a C&A e o desfile/ mega festa de lançamento da parceria entre a Versace e a Riachuelo.

Dois eventos com um dia de diferença e cheios de semelhanças: duas fast fashion grandonas, assinando coleções com mega marcas de luxo internacionais, com cobertura extensiva da mídia e presença em massa de bloggers super famosas, além das próprias estrelas do show: Donatellinha e Stellinha ao vivo e a cores.

Óbvio que fiquei curiosa pra ver o estilão de cada uma das coleções. Fui fuçar e, de cara, já deu pra sacar. Entre tantas semelhanças, foi nas roupas que se viu muita diferença.

Claro, são dois estilos totalmente diferentes. Duas propostas quase antagônicas. Stellinha, de um lado, mostrando todo o seu minimalismo. Alfaiataria linda de viver, tudo em tons clarinhos, rosa clarinho, azul clarinho, muito branco e um toque de dourado que faz toda a diferença. Eu mesma fiquei enlouquecida pela calça dourada (essa que você vê na foto aqui embaixo). De uma coleção inteira que me deixou babando, essa calça foi o golpe de misericórdia no meu coraçãozinho.

De uma forma geral, as peças refletem o melhor da Stella: simplicidade, feminilidade e elegância em peças super usáveis para o dia a dia.

Do outro lado do ringue, temos a coleção da nossa amiga Donatellinha. Uma proposta totalmente diferente, mas que parte da mesma premissa: ícones que marcaram época e formas absolutamente fiéis a essência da Versace.

Tá tudo lá: a sensualidade, a extravagância, o dourado. As peças são bem mais coladinhas no corpo e seguem tendências do momento: muito cropped, saia lápis e calça flare. Eu gostei particularmente das estampas com clima marítimo (ando meio nessa pegada, vide a lagosta do casório).

Tudo bom, tudo bem.

Sou a maior apoiadora de parcerias como essas porque não deixam de ser mais um jeito de democratizar a moda. Mas, tendo, os dois, acontecido tão ao mesmo tempo, fica difícil não cair na tentação de botar  na balança e ver que lado pesa mais. Então, aviso logo, pesei e escolhi a minha preferida.

Na verdade, a minha escolha não tem a ver apenas com a roupa, principalmente, porque achei tudo bem bonito. E, sabe como é que é, gosto é que nem bunda, cada um tem a sua. O que roubou meu coração e fez a balança pesar mesmo foi essa declaração aqui:

“As peças que estão aqui são atemporais, têm design e foram feitas com o melhor material possível para durarem muito tempo. E eu acho que as marcas de luxo que fecharem parcerias com redes de fast fashion precisam ter isso em mente: a razão deles se unirem é desacelerar o fast fashion pelo menos um pouco, para que as pessoas possam fazer investimentos para a vida toda. Isso é muito importante para mim. Não dá para esperar ter só luxo no mundo. Vamos ser realistas. A indústria de fast fashion é grande e deve ser respeitada. O que não gosto é da cultura de usar e jogar fora. De você investir seu dinheiro e seis meses depois jogar a peça fora. Não importa quanto você pagou, tem que manter por mais tempo.”

Quem disse foi a filhota do Paul, numa entrevista para o site FFW (na íntegra aqui).

Quando leio coisas assim, meu coração se enche de esperança de que estamos no caminho para, um dia, viver uma indústria de moda mais em sintonia com a vida real. A vida de pessoas que não podem comprar todo dia, nem jogar fora metade do armário a cada estação. E, por isso, eu aplaudo de pé a dona Stella.

Fico feliz em dizer que sou prova viva de que tudo o que a moça falou aí em cima é a mais pura verdade. Há quase quatro anos ganhei 3 vestidos da primeira parceria Stella + C&A (na época eu já estava sem comprar e a minha irmã me deu os vestidos de presente de aniversário). Hoje, eu ainda amo e uso cada um deles. Afinal de contas, tem coisa melhor do que encontrar aquele vestidinho que você sabe que vai ser seu amigo pela vida toda?

Sim, esse aqui em cima, em 4 versões diferentes, é o vestidinho regata lá da primeira coleção. Meu amigo de fé, irmão, camarada e que já me salvou em inúmeras ocasiões.

Então é isso, gente. Dia 18 a coleção chega nas lojas (a da Versace já tá rolando). Eu não poderei estar lá porque tô (de novo) em abstinência (acho que a Stella tem uma implicância pessoal com a minha pessoa), mas a minha recomendação é: se puder, vá lá e dê uma olhadinha. Vai que você faz um amigo como eu fiz há quase 4 anos atrás.

  • Amei esse post, realmente nos últimos dias o que mais tem se falado é dessas duas coleções, eu já conferi a da Versace e achei o preço bem salgadinho por ser fast fashion e algumas peçãs não valem o valor (minha opinião). Eu também acredito (e espero) viver uma indústria de moda mais em sintonia com a vida real.

  • Poxa, Jojo, olha… se tivesse como fazer um Ctrl+C Ctrl+V desse seu vestido preto, seria a glória. Logo mais embarco numa viagem bem longa e com bagagem bem leve, e o mais difícil tá sendo encontrar um vestidinho assim, pra ser usado com cinto, sem cinto, como saia, como blusa… que seja versátil mas com qualidade. Vou dar uma olhada na nova coleção, quem sabe não rola algo parecido? Um beijo e sucesso!

  • Jo, nesta coleção não teve nem uma sedinha pra contar história… Só çeda! rs
    Beijos, Pá.
    @papalombo

  • Otimo!