5 coisas que me inspiraram no SXSW
28 de março de 2016 POR Jojo COMENTA AQUI!

Quem acompanha o blog, o meu Insta ou ainda o meu Snap sabe que há duas semanas eu embarquei para Austind e lá permaneci durante a semana todinha por motivos de: tava rolando SXSW.

SXSW

Se você nunca ouviu falar dessas quatro letrinhas juntas, eu explico. SXSW é um festival de interatividade, música e cinema que rola todo ano em Austin no Texas (daí o nome SXSW que, na verdade, é só uma abreviação de South by South West, uma referência à localização da cidade nos Estados Unidos). E, apesar de pouca gente no Brasil já ter ouvido falar do evento, o SXSW acaba de completar trinta anos.

Foi a minha primeira vez participando do evento. Eu já conhecia bastante gente que tinha ido e todo mundo me falou a mesma coisa: “relaxa, você não vai conseguir ver tudo.”

Eu não entendia muito bem o que isso queria dizer até desembarcar em Austin. Imagina um festival de música qualquer, sei lá, o Lollapalooza. Agora pensa: não dá aquela frustração quando tem duas bandas que você ama tocando em dois palcos diferentes na mesma hora?

Pois no SXSW isso acontece o tempo INTEIRO. Você acorda e vai olhar as palestras do dia, começando pelas que vão rolar as 9:00 da manhã. Aí você se dá conta de que vão rolar umas 6 palestras que você PRECISA ver, todas na mesma hora, todas em lugares diferentes da cidade.

No primeiro dia isso te tira do sério. Você xinga metade dos organizadores do festival, se arrepende de ter pago tanto dinheiro pra não conseguir ver metade das coisas e anda perdido de um lado pro outro sem saber pra onde ir. Até que você entra na primeira palestra que te aparece na frente (provavelmente alguma que nem estava na sua lista das preferidas. E aí tudo muda.

Muda porque você começa a entender que, não importa pra qual palestra você vá, você vai sair dela melhor do que entrou. Você vai ter aprendido, não uma, mais umas 45 coisas novas. Novas mesmo. Dessas que você nunca ouviu falar e nem sabia que existiam. De astronautas falando sobre as tecnologias que já estão sendo desenvolvidas para a colonização de Marte, até realidade virtual e como ela tá sendo usada para curar traumas e criar empatia.

Dito isso, resolvi dividir com vocês algumas das coisas que vi por lá e que tem tudo a ver com o que a gente fala aqui no blog. Foram coisas que aprendi e que me influenciaram profundamente. Espero que vocês gostem.

1. MARCAS QUE FAZEM O BEM

Uma das coisas mais legais de ver no festival foi a quantidade de marcas que estão nascendo com o propósito de fazer o bem, inclusive no segmento de moda. O movimento chamado “Capitalismo Social” prega que é possível ter um negócio saudável e rentável, sem explorar ninguém. Pelo contrário. Essas empresas estão provando que dá pra ter um produto de qualidade, com um preço justo e ainda fazer o bem para o mundo. E, assim, todo mundo sai ganhando.

Aqui vão algumas das marcas que tive o prazer de ver por lá:

THINX

Uma marca de calcinhas criadas para substituir o seu absorvente. Sim. Calcinhas fofas, charmosas e fininhas, iguais as que você já usa. Com a enoooorme diferença que elas não deixam a sua menstruação vazar.

Por que isso muda o mundo? Primeiro porque o impacto ambiental de pararmos de usar absorventes é enorme. Imagine a quatidade de lixo que a gente deixa de produzir a cada menstrução. Segundo porque a cada calcinha que você compra na Thinx, eles financiam a produção de um pacote de absorventes laváveis e reutilizáveis para meninas em países de terceiro mundo. Por que isso é importante? Porque, todo mês, 100 milhões de meninas perdem uma semana de escola simplesmente por estarem menstruadas e não terem acesso a absorventes. Ó o filminho da marca que explica direitinho:

RAVEN & LILLY

Uma marca de moda e decoração linda de viver. Mas o mais lindo é como tudo isso é produzido. A Raven and Lily emprega mais de 1.500 mulheres marginalizadas e em situação de risco em países como Índia, Paquistão, Etiópia, Guatemala e até mesmo aqui nos EUA. A empresa garante para essas mulheres um salário justo, um ambiente de trabalho seguro, assistência de saúde, educação e uma chance real de quebrar com o ciclo de pobreza no qual elas e suas famílias estão inseridas.

Todos os produtos são fair trade, produzidos artesanalmente e em processos que respeitam o meio ambiente.

2. MULHERES NO COMANDO

Uma das pautas mais discutidas no festival foi o feminismo e a crescente necessidade da participação das mulheres em indústrias predominantemente masculinas, como as ciências, o cinema, a tecnologia e até a propaganda.

Uma dos painéis que vi sobre o assunto me deu ainda mais orgulho por ser praticamente todo composto por brasileiras. Juliana de Faria e Nana Lima, da incrível empresa de branding feminista Think Olga, conversaram com Nayara Ruiz ,do Bradesco, e Lisen Stromberg, do 3% Movement (que luta pela representatividade das mulheres na área de criação das agências de propaganda) sobre a importância do cyber-feminismo e do poder das mídias sociais de conectar minorias.

As diversas campanhas de hashtags que rolaram no ano passado, como a #whyIstayed e o #meuprimeiroassédio (lançado pela própria Think Olga) são provas desse poder.

3. OUTRAS REALIDADES REAIS E VIRTUAIS

Eu cheguei no SXSW sem nunca na vida ter visto de pertinho um óculos desses de realidade virtual. Uma semana depois, eu já tava achando até normal. Os benditos óculos estavam em todos os lugares. Eram assuntos nas palestras, viravam brincadeira nos stands, qualquer um podia ir lá e testar.

VRSamsung

Muito se falou sobre realidade virtual no festival, mas uma das coisas que mais me marcou foi entender que a realidade virtual pode ser uma ferramenta poderosa de geração de empatia. Afinal, o que poderia ser melhor para se colocar no lugar do outro? E empatia é importantíssimo no mundo em que vivemos hoje. Entender o que acontece em outros lugares, presenciar (mesmo que virtualmente) outras realidades abre a nossa cabeça e gera compaixão e, consequentemente, atitude e mudança.

CloudsOverSidra

Um dos melhores exemplos disso é o documentário Clouds Over Sidra. O curta, criado por Chris Milk conta a história de Sidra, uma menina de 12 anos que foge de sua cidade na Síria e vai parar num campo de refugiados na Jordânia. A experiência de ouvir Sidra contar sobre o seu dia a dia enquanto te olha nos olhos é de arrepiar. Dá pra ver o documentário todo aqui e mexer na tela pra ver o ângulo que você quiser.

 

 

4. MEDITAR É PRECISO

Eu não sei se eu deveria ficar com vergonha de falar isso, mas eu nunca tinha meditado na vida. Até o SXSW. Ok, parece um lugar meio estranho pra começar a prática. Eu também não imaginava que teria a minha primeira experiência de meditação por lá. Mas foi, e foi no meio de mais umas milhares de pessoas. Todas meditando juntas.

Eu explico: uma das palestras mais incríveis da semana foi de um cara chamado Andy Puddicombe, britânico, professor de meditação, empreendedor e ex monge budista.

Andy falou sobre a dificuldade de encararmos a felicidade como uma possibilidade no momento presente, ao invés de uma coisa que estamos sempre correndo atrás. E sobre essa crescente sensação de desconexão que sentimos mesmo vivendo num mundo cada vez mais conectado. E, por fim, como a meditação pode contribuir pra esvaziarmos a cabeça e conseguirmos ser mais presentes.

Finalizou seu papo colocando todo mundo no salão pra meditar durante 10 minutos. Eu confesso. Quando ele mandou fechar os olhos, achei que aquilo não ia dar em nada. Que nunca que eu ia conseguir relaxar no meio daquele lugar cheio de gente. Mas eu já tava ali e resolvi encarar o desafio. E foi INCRÍVEL.

Saí da palestra e, na hora, já baixei o Headspace, aplicativo desenvolvido por Andy para ensinar as pessoas a meditarem diariamente.

5. LET GIRLS LEARN

Talvez a palestra mais impressionante que eu tenha visto durante esses dias lá em Austin. Primeiro pelo calibre das convidadas: Queen Latifah, Missy Elliott, Sophia Bush, Diane Warren e, nada mais, nada menos do que Michelle Obama. Segundo, pelo assunto: a iniciativa Let Girls Learn da ONG change.org, que busca dar oportunidade de educação a meninas ao redor do mundo.

LetGirlsLearn

O projeto é lindo e absurdamente inspirador, especialmente por nos fazer lembrar que, quando uma menina consegue educação e consegue sair do ciclo de pobreza, ela ajuda todos a seu redor, contribuindo com a comunidade em que vive e influenciando mais meninas a fazerem o mesmo.

Foi incrível poder ouvir o debate de mulheres tão inspiradoras compartilhando as dificuldades que tiveram que superar para chegarem onde estão. Quero ser amiga de cada uma delas, pode?

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  • Lis Schwabacher

    Adoro quando você faz esse tipo de post inspirador! <3

    • Jojo

      Que bom, Lis! Acho que são os meus preferidos! Fico feliz que você curta também 😉

  • Lívia Hungria

    Maravilhoso esse post!!!!!!!

  • Luana Freitas

    Adorei o post. Muito interessante um evento que acrescente em tantos pontos! Obs.: Fiquei curiosa com as calcinhas. Já estão usando por aí?

  • Maki De Mingo

    Cara, eu já tinha ouvido falar desse evento bem por cima, mas esse ano vi muiiittaa coisa bacana a respeito. Fiquei impressionada com o tanto de conteúdo que sai de lá! E essas palestras que focam no poder feminino…. Incríveis! Mostra que o mundo tá mudando mesmo e que a mentalidade das pessoas está muito mais aberta para uma vivência sem medo e competição.

  • Siloan Lima

    Uau, que máximo deve ter sido esse evento. Gosto a beça da Queen Latifah. Como foi ouvir Michelle Obama? Obrigado por compartilhar suas experiências.