1 ano de São Francisco
5 de abril de 2016 POR Jojo COMENTA AQUI!

Hoje faz um ano que a gente oficializou a nossa mudança aqui pra São Francisco. Um ano que enfiei minha vida em três malas e vim começar tudo de novo numa cidade do outro lado do continente.

Muita gente até hoje me pergunta o que trouxe a gente até aqui. E a minha primeira resposta é sempre a mesma: trabalho (do maridão, no caso). Mas preciso confessar que ela não é a mais verdadeira. Trabalho foi o que possibilitou a nossa mudança, sim. Mas o que trouxe a gente pra cá foi outra coisa.

Pode chamar de curiosidade, de espírito aventureiro, de inquietude, sei lá. A verdade é que tinha um bichinho dentro de mim que há tempos me mandava ir explorar o mundo. Eu sempre gostei de viajar e conhecer lugares novos e, a cada novo lugar, o bichinho gritava mais alto.

Hoje, um ano depois de chegar aqui, eu entendo bem o que o bichinho queria. Ele queria que eu fosse uma pessoa melhor.

A verdade é que se colocar dentro de outra realidade, uma que você não conhece ainda, mas se aventura de braços abertos, é um aprendizado incomparável.

Então, eu resolvi tirar o dia hoje pra refletir sobre algumas das coisas mais importantes que eu aprendi nesse ano de SanFran.

1. A RESPEITAR O OUTRO (SEMPRE E MAIS DO QUE NUNCA)

Ao longo de sua história, São Francisco foi palco de verdadeiras revoluções de aceitação. Na década de 70, o movimento hippie pregou a paz e o amor ao próximo. Na mesma época, a luta pelos direitos dos homossexuais mostrou que, independente de orientação sexual, todos nós merecemos levar uma vida digna.

Todos esses movimentos contribuíram para uma cidade que tem respeito enorme pela liberdade do próximo. Respeitar o outro é reconhecer as escolhas de outras pessoas como igualmente válidas às suas. É ver alguém andando pelado na rua (sim, já aconteceu) e não olhar torto. É ver um homem vestido de mulher e não rir. É respeitar que tem gente de religiões diferentes, culturas diferentes, histórias diferentes e todas elas tem o seu valor.

Aí a gente pensa: mas eu respeito. Tenho amigo de tudo o que é jeito. Respeito todos eles.

Veja, respeitar o outro é diferente de respeitar os nossos amigos. Eu tô falando de respeitar gente que você não conhece, nunca viu ou, talvez até tenha visto, mas nem vá muito com a cara.

Respeitar é também parar o carro pro pedrestre passar. É só atravessar a rua na faixa. É não parar com o carro no meio do cruzamento. É respeitar a faixa de ciclistas e até as pistas compartilhadas. Eu sei, eu sei, isso aí é regra em qualquer lugar, mas vamo ser bem sincero e admitir que não é exatamente como a banda toda.

Respeito ao próximo está nas pequenas coisas. Nas sutilezas do dia a dia.  É pensar em todas as suas atitudes sempre pelo prisma do impacto que elas vão causar na vida dos outros.

SF1ano

2. A APROVEITAR TODOS OS DIAS

Eu passei nove anos morando no Rio. Eu aproveitei muito, fiz muita coisa. Mas hoje eu olho pra trás e eu queria ter feito tantas mais. Fico lembrando das tardes inteiras vendo Sessão da Tarde, enquanto poderia estar me aventurando pelas ruas. Os fins de semana na Zona Sul que poderiam ter virado viagens pelo interior, pelo litoral, por tantas cidades e praias e montanhas feitas pra serem desbravadas.

Hoje eu trabalho e não posso mais me dar o luxo de passar os dias solta pelas ruas. Mesmo assim, tenho uma vontade louca de conhecer tudo. Quero conhecer cada bairro, cada canto, cada bar e restaurante escondido. Quero ir a todas as cidades aqui pertinho (e as mais longe também), conhecer tudo, tirar fotos com os olhos e guardar pra sempre.

Eu não sei quanto tempo a gente vai morar aqui, mas quero ir embora com a sensação de dever cumprido sabe?

SF1ano

 

3. A ME VIRAR

Quando eu aluguei meu primeiro apartamento, achei que eu tinha definitivamente virado adulta. Cuidar da papelada, alugar carreto, pagar contas. Eu tinha chegado lá.

Aí a gente se mudou pra cá. E eu percebi que ainda tinha tanta coisa pra aprender.

A verdade é que serviço no Brasil é um troço relativamente acessível. Vai fazer mudança? Contrata o moço do carreto e ele te ajuda.

Aqui o buraco é mais embaixo. Mão de obra aqui não é barato (justo, né? afinal estamos falando do trabalho de um ser humano). Isso quer dizer que ter diarista não é barato. Fazer a unha no salão não é barato. Contratar personal trainer, ixi é inviável.

Por essas e outras, a gente vai aprendendo, de verdade, a se virar. Dá mais trabalho? Lógico que dá. Mas a gente faz e sobrevive e vira uma pessoa mais preparada pro que der e vier por isso.

Eu ainda não acho que virei gente grande, mas aprendi a fazer um monte de coisas que não sabia antes.

SF1ano

 

4. A TER MAIS AMBIÇÃO (NO MELHOR SENTIDO DA PALAVRA)

Cada cidade tem uma energia, já reparou? Pois a energia de São Francisco é a do empreendedorismo.

A cada esquina você vai dar de cara com gente sentada dentro de um café, compenetrada, olhando pro computador. A proximidade com o Vale do Silício e todos os seus casos de sucesso criou essa febre empreendedora que é, de verdade, contagiante.

A sensação é de que a próxima rede social pode estar nascendo ali mesmo, virando a esquina da sua casa. O próximo Mark Zuckerberg pode ser esse cara, ou essa menina, sentados ali tomando seus copões de café.

E, lógico, de tanto ver o povo trabalhando, conversando, se conectando, tendo ideias e, principalmente, colocando elas pra ganharem vida, não tem como não se inspirar e querer também sonhar alto e correr atrás pra realizar.

SF1ano

5. A TER PRIORIDADES

 

Nada como ir morar longe da sua família e dos seus amigos pra te fazer entender realmente o que importa na vida. A gente escolheu morar fora e, lógico, não dá pra ter tudo na vida.  Mas, mais do que nunca, a gente percebe que são as experiências que a gente tem e os laços que a gente forma ao longo do caminho é que fazem a vida ser mais feliz.

Aqui a grana não é folgada, então eu parei de comprar roupa. Sério. Compro praticamente nada. O din din que sobra é pra viajar, conhecer lugares novos, jantar num restaurante legal que a gente ainda não conhece.

As horas vagas são pra ficar junto com o marido, com os amigos. Pra criar momentos, pra aprender coisas novas.

E o Skype passa a fazer parte da vida. E tudo bem.

SF1ano

Pra finalizar, só falta mesmo uma declaração de amor. Então aí vai: obrigada, São Francisco! Love you!

 

 

  • Andréia Cabral

    And San Francisco love you back ❤️ Post lindo!

  • Andréa Oliveira

    Que SF continue te tratando muito bem Jo, que nem me tratou. My heart is definitely there! ;*

  • Linda reflexão! Moro em Portugal há dois anos e morei nos Eua por um. É incrível como aproveitamos mais o lugar, mudamos de perspectiva sobre o que tínhamos, o que e quem estava ali à mão e a gente nem se dava conta. Uma mudança assim tão grande mexe por fora e por dentro. Pelo jeito você está aproveitando! Eu também 😉

  • Jacqueline Patrocinio

    Jo, quando vi que você tinha se mudado pra SF fiquei muito feliz. Eu tinha acabado de voltar daí, uma viagem maravilhosa, e sabia que ter uma de minhas blogueiras preferidas aí seria como ter uma grande amiga, que sempre me lembraria com carinho de uma cidade que conquistou meu coração. Até pelo seu jeito de escrever, percebo o quanto você mudou para melhor. Obrigada por compartilhar tudo isso.

  • Bárbara da Silva

    bom ler este texto, pois estou passando por uma situação semelhante, não mudamos de país, mas mudamos de estado e de região. mudança grande, cheia de custos, prejuízos e ganhos, que ainda não são tão palpáveis, mas já sentimos (eu e o maridão) que avançamos um degrau a mais rumo à maturidade. 🙂

  • Julia Franco

    Jo, que post mais lindo! Já empacotei e desempacotei mudanças em 4 continentes e me identifiquei tanto com sua lista que até me deu um nó na garganta. São Francisco e Durban são dois mundos completamente diferentes mas que, pelo jeito, oferecerem ensinamentos parecidos. <3 Beijo grande

  • Alessandra Salgado

    Ai Jojo, te entendo muito e me identifiquei! Morei 1 ano e meio com o marido em Nova York assim que nos casamos e acho que essas descobertas todas suas foram as minhas também e mesmo depois que voltamos tem certas coisas que permaneceram em mim e não saem nunca mais. E mais do que isso, frequentemente da uma vontade grande de voltar ;)) Aproveita muito seu tempo aí! Bjss

  • Marcella Micelli

    Joanna, não sabia que você ficou tanto tempo no Rio! Você morava onde? Curiosa! Hahahaha. Beijo!

  • Clarissa

    Jojo, te mandei email tem umas semanas, vc viu? Queria dicas de SF <3

    beijos

  • Suellen Almeida

    Que post bacana, Jojo. Amei!! Me mudei para a Alemanha há dois anos e meio, para o meu doutorado, e me identifiquei com quase tudo o que vc falou aqui. Muito amor por essa reflexão por todo o aprendizado! ❤️

  • Roberta Dalma

    Que bacana seu post!! Adorei Jojo!! Parabéns, assim podemos “sentir” um pouco de como é decidir ir para outro país e entender que só pq é a America não é tudo “mil maravilhas” ne?! Legal você nos passar as coisas boas e também as não tão boas. E tudo bem. Isso faz parte da vida, e da etapa de priorizar.

  • Siloan Lima

    Que lindo e ótimo que tudo deu certo pra vcs, ter coisas em comum ajuda muito. Eu morei em Viena e tentei conhecer cada canto, pegava o bonde e passeava por toda a cidade. Arredores infelizmente não conheci por falta mesmo de grana. Voltei e tudo bem também, tão bom absorver esses aprendizados.
    Beijo, que SF te faça cada vez melhor.

  • Lis Schwabacher

    Que delícia!

  • Jéssica Vieira

    Que lindo! Vou começar a por o “Aproveitar todos os dias mais!”. <3