Alimento pro Pensamento: Carnaval, Oscar, Amor e Sexo
5 de março de 2017 POR Jojo COMENTA AQUI!

E aí, pessoal? Como que cês foram de Carnaval?

Eu comecei os dias de folia lá em Paris, num finde delicioso de andanças e comilanças, mas, infelizmente, tive que voltar pra Londres na segunda-feira pra trabalhar enquanto cês tava aí tudo de folga.

Tudo bem, tudo bem. Fiquei feliz em ver acompanhar o Carnaval de vocês pela minha timeline do Insta, uma foto mais linda e alegre que a outra. Deixei minha inveja de lado e fiquei genuinamente feliz em ver essa energia contagiante chegando até aqui pela tela do meu celular. Vocês fizeram os dias frios de Londres ganharem um calorzinho gostoso cheio de saudade.

E já que estamos falando de Carnaval, vamos começar esse Alimento pro Pensamento falando dele mesmo?

O CARNAVAL DO MEU CORPO, MINHAS REGRAS

Na minha infância e até bem pouco tempo atrás, peito de fora no Carnaval era coisa rara, restrita aos limites da escola de samba, do desfile na Sapucaí. Ali, entre as arquibancadas, do alto dos carros alegóricos, o “exótico” era permitido e o peito desnudo era das mais ousadas fantasias.

Mas esse Carnaval de 2017 foi diferente. Pela primeira vez eu vi peitos saindo dos limites do que um dia alguém disse que era aceitável, do que era “seguro”. Vi peitos ganhando as ruas, sem medo de serem o que são (a-pe-nas peitos). Mas, ao menos tempo, peitos com a ambição e responsabilidade de serem muito mais do que são, de serem um símbolo e uma revolução, a revolução do “meu corpo minhas regras”.

Sim, não se engane. Os peitos que desfilaram nas ruas de bloquinhos ao redor do país não são fantasias. São gritos de liberdade e empoderamento e trazem uma mensagem clara: a de que mesmo nus (ou coberto com purpurina), comandam respeito e pertencem somente a mulher que os carrega.

CarnavalEmpoderado

O OSCAR E SUAS MENSAGENS CONTRADITÓRIAS

Em 2016 a Academia foi imensamente criticada por não ter nomeado nenhum negro ao Oscar. A gente até falou sobre isso aqui no blog (aqui ó).

Esse ano, a história foi bem diferente. Num recorde na história da Academia, seis atores e atrizes negros foram indicados ao Oscar em 2017. Dois deles levaram a estatueta pra casa. Três dos indicados a melhor filme tinham elenco majoritariamente negro. Um deles levou a estatueta. Moonlight conta a história de um menino negro e gay e esse filme receber esse reconhecimento é uma coisa linda.

Por outro lado, Casey Affleck levou o prêmio de melhor ator. Em 2010, o ator recebeu duas acusações de assédio sexual durante as gravações de I am Still Here. Enquanto Casey fazia seu discurso de agradecimento, a atriz Brie Larson, se recusou a bater palmas para o ator. Brie é atuante no combate à violência contra a mulher e já tinha se recusado a aplaudir o ator quando ele recebeu o prêmio por Manchester by the Sea no Globo de Ouro.

A premiação de Affleck gerou muita discussão. De um lado, muita gente achou absurdo a Academia festejar um cara com um passado de abuso. De outro, muita gente defende a premiação com a justificativa de que sua atuação no filme não tem nada a ver com crimes que ele possa ter cometido.

De tudo o que li por aí sobre esse assunto, um post me tocou fundo. Esse aqui da galera incrível do Think Olga. Vale dar uma lida e tirar alguns momentos pra refletir em seguida. E depois não esquece de deixar a sua opinião aqui nos comentários.

O TAPETE VERMELHO E OS LOOKS “VERDES”

Ainda sobre o Oscar, mas agora com foco agora nos looks usados para o evento. Fico feliz em ver que, novamente, algumas atrizes abraçaram a ideia de apostar em looks sustentáveis, provando que dá pra ser chiquérrima com consciência.

Emma Roberts, por exemplo, ao invés de ter um vestido novinho criado sob medida só pra ela ir ao evento, resolveu futura os arquivos da Armani Privé e encontrou um modelo lindo da coleção de 2005 da marca.

Priyanka Bose, do aclamado Lion, também abraçou a causa ao aparecer para a premiação usando um Vivienne Westwood inteiramente feito de retalhos de tecido e acabamentos de coleções passadas.

Olivia Culpo estava deslumbrante em seu Marchesa inteiramente bordado de garrafas de cerveja. A Stella Artois, em parceria com a Water.org criaram pequenas perolinhas a partir de garradas de vidro. O vestido faz parte de uma coleção cuja renda ajuda a trazer água limpa para regiões subdesenvolvidas.

GreenCarpetOscar

LINIKER NO AMOR E SEXO

No programa Amor e Sexo da semana passada o tema foi diversidade sexual. Como tô aqui fora do Brasil e não tenho Globo em casa, fui catar os vídeos na Globo.com pra ver pela internet mesmo. E, olha, que lindo, viu? Que programa incrível. Que alegria ver esse assunto sendo tratado com verdade, com naturalidade e com um didatismo generoso que convida à conversa e ao respeito.

Mas o momento que mais me marcou, sem dúvida, foi quando Liniker subiu ao palco e cantou Geni e o Zepelim. Clica aí:

É isso, gente. Chega de mortes, de violência, de abusos. Vamos ser felizes e respeitar o próximo?

Uma semana linda pra vocês.

  • Laili Flórez

    Jojo, o post tá massa, mas “inveja branca”? Vamos evitar, né? Bj

  • Rebeca

    Muitíssimo pertinente esse post, pra começar bem a semana que celebra o Dia Internacional da Mulher. Eu li o post todinho do “Think Olga”, e acho impressionante como a lógica da sociedade ainda condena sempre a mulher mesmo. O tal “goleiro Bruno” mal saiu da cadeia e já é aclamado por seus feitos no futebol – como se ele não fosse o cara que assassinou a mãe de seu filho e deu os restos aos cachorros. Agora, Suzane von Richtofen, mulher, que não era famosa, será sempre a assassina dos pais. Se tentar fazer faculdade, “quer estudar pra que, matou os pais, assassina”, se receber condicional, “assassina, agora vai matar o irmão”, se frequentar a igreja, “hipócrita, assassina”… E por aí vai. Isso me leva a pensar que temos muito além da desconstrução dos clichês masculinos sobre o feminino. Temos um gigante inconsciente coletivo para mudar, de forma que possamos sentir um verdadeiro estranhamento diante dessas situações que condenam a mulher e aliviam pros homens. Um passo de cada vez, né? Vamos lá…

    • Cristina Cardoso Alves

      Bravo, Rebeca! Compartilho seu pensamento…. Bjs pra vc, Jojô!

    • Cristine

      Oi Rebeca. concordo com você no que se refere ao Bruno. mas discordo totalmente do que foi dito sobre Suzane von Richtofen. entendo que há um grave problema quando a mulher sempre é julgada da pior forma possível, enquanto que ao homem sempre é reservada uma indulgência surpreendente – como foi dada ao Bruno. comparando os dois, sim, ela teve um tratamento muito pior do que o Bruno. mas acho que a sua comparação foi infeliz. Suzane premeditou a morte dos pais friamente. ela não simplesmente furtou algo ou teve uma crise nervosa ou teve um mamilo exposto.
      mesmo entendendo o que você quis dizer, eu discordo. não acho que a Suzane é que deveria ter sido “melhor” tratada ou julgada pela sociedade, e sim que o Bruno é que deveria ter sido tratado como ela foi.
      há um outro detalhe nessa história toda que acho muito importante comentar: a mídia brasileira, de um modo geral, é inescrupulosamente fútil e irresponsável. Bruno deu várias entrevistas falando sobre o que ia fazer, onde ia trabalhar depois de solto. até já comentou que quer de volta a guarda do filho. e Suzane, durante todos estes anos após o crime, também deu entrevistas falando sobre sua nova religião, sobre seu casamento com outra moça e outros assuntos de sua vida pessoal. a AMBOS foi dada uma colher de chá maravilhosa da mídia, viraram assunto trivial, como se nada tivessem feito. faltou perguntar aos dois onde gostariam de passar as férias e qual marca de café que eles gostam.

      concordo totalmente com o fato de que mulheres são julgadas sempre da pior forma possível, mesmo que seus atos tenham sido muito mais leves comparados ao de alguns homens. o artigo do Think Olga foi perfeito.
      mas temos que cuidar quando contrabalançamos algumas questões. porque tendemos a suavizar crimes que não deveriam ser suavizados – tanto os cometidos pelos homens, quanto pelos cometidos por mulheres.

      • Rebeca

        Oi Cristinte! Concordo com seu posicionamento. Na verdade, acho que não me fiz entender bem. O que penso é o seguinte: ambos foram assassinos cruéis, frios, sádicos. Ambos planejaram a morte de pessoas próximas, usaram das circunstâncias e da confiança para cometer crimes horríveis. Porém, recebem tratamentos diferenciados pela imprensa e até pela sociedade. Não acho que a Suzane tenha de ser “melhor tratada”, e inclusive não acho que nenhum dos dois tenha que ser escorraçado pelo resto da vida. Nosso sistema penal e prisional é esse, eles foram julgados, condenados e estão pagando pelos seus crimes de acordo com a legislação do nosso país, não sou eu que tenho que condená-los pelo resto da vida. Num contexto de igualdade, a imprensa trataria ambos como criminosos. Ou ambos como pessoas se redimindo de seus passados. Ou ambos como assassinos cruéis. Ou ambos ________ (complete a frase).

        Mas, de fato, a comparação não é a ideal. Suzane não era nenhum “astro” de coisa nenhuma antes de cometer o crime que cometeu. Obviamente, não há motivo para alvoroço em torno da figura dela.

        Mas fica a indignação com a imprensa e a sociedade, que, por exemplo, publicam “novinha é flagrada no motel com homem mais velho e causa confusão no município de X” (sim, li isso essa semana, e a “novinha” era menor de idade, e o “senhor” estava abusando dela). E das tantas notícias que jogam a culpa sobre a mulher. A mulher causou a confusão. A mulher começou a briga. A mulher provocou o instinto do homem. A mulher pediu pra ser estuprada.

        É desse inconsciente coletivo que falo. De que a mulher, de alguma forma, se sente (ou é forçada a se sentir) culpada. Sigamos juntas!