Às mulheres da minha vida: minhas mães e minha irmã.
8 de março de 2017 POR Jojo COMENTA AQUI!

Hoje é Dia Internacional da Mulher e eu confesso que fiquei pensando no que postar aqui. É que, nos últimos anos, esse dia passou a ter um significado tão importante pra mim que eu não queria escrever qualquer coisa. Queria falar alguma coisa que fizesse diferença, que inspirasse meninas e mulheres, que refletisse os tantos avanços que a gente tem conseguido, mas ao mesmo tempo apontasse para o caminho tão longo que ainda temos a seguir.

Passei o dia pensando nisso. No que eu podia contribuir pro dia de hoje.

Em busca de inspiração, abri o meu Facebook. Tenho a sorte (ou a competência) de ter muita gente bacana habitando a minha timeline e, sempre que preciso me inspirar, dou um pulinho por lá pra ver o que a mulherada linda que é minha amiga anda falando.

E hoje não poderia ter sido diferente. Entrei no meu Facebook e dei de cara com uma tonelada de posts que eram inspiração pura.  Meninas mais jovens, mulheres mais velhas, homens. Umas compartilhavam frases de resistência e inspiração. Outras publicaram notícias e imagens. Mas os posts que mais me emocionaram foram aqueles mais pessoas que faziam referência a mulheres reais, muito próximas, heroínas da vida de cada uma das pessoas que estavam postando. Um conhecido falou sobre sua mãe, sobre seu exemplo de força e superação. Uma amiga falou da filha, sobre a auto-estima que queria deixar pra ela de presente.

E eu fiquei aqui pensando, o quanto eu fui abençoada por ter tido exemplos pra seguir. Mulheres dentro e fora de casa que incansavelmente instauraram em mim desde muito cedo a noção de que eu posso tudo. E me perguntei se já agradeci por esse esforço alguma vez na vida. A gente se abraça, fala que ama, se fala sempre, mas agradecer? Não sei se já agradeci.

Foi então que percebi que a timeline do Facebook havia novamente cumprido o seu papel: a inspiração pro post veio, hoje era dia de reconhecer e agradecer as mulheres que me fizeram o que eu sou hoje.

À MINHA MÃE

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Desde muito nova eu lembro da minha mãe me dizer: “Não existe jantar de graça, minha filha.” Era o jeito dela de me falar: não dependa de homem nenhum. Só assim você vai poder estar com alguém porque realmente quer e não porque precisa.

Ela sempre foi assim. Por trás de seu jeito tímido está uma mulher que sempre teve suas próprias asas. Casou duas vezes antes de conhecer o meu pai (com quem está casada há 35 anos), mudou de país no início dos anos 80, da Escócia para a Bahia, sem falar uma palavra de português, trabalhou pra caramba, viajou o mundo organizando conferências de planejamento familiar em países como Nigéria e Egito.

E foram as asas dela que me fizeram ganhar asas também. Quando eu tinha 17 anos, foi ela que me incentivou a sair da Bahia e ir fazer vestibular no Rio “porque lá o mercado é melhor”. No meu primeiro mês morando lá, eu fui assaltada. Liguei pra ela chorando. E, se toda mãe entraria em desespero e mandaria a filha voltar pra casa no mesmo instante, ela acalmou meu pranto e me disse: “acontece, filha. O pior já passou.” E eu me senti segura.

À BÁ

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A Bá chegou lá em casa junto comigo. Quando eu saí da maternidade, ela estava lá me esperando. Ela me deu comida, banho, bronca e uma quantidade incalculável de amor.

A Bá é dessas almas que nasceram para cuidar. Cuidava de mim, do meu irmão, da criançada do prédio. Cuidava da mãe, das irmãs, dos sobrinhos, dos bichos da rua (outro dia foi resgatar um urubu que tinha machucado a asa). Hoje, com 62 anos, ela ainda acha tempo pra cuidar de sua comunidade, fazendo trabalho voluntário, indo nas casas do bairro e ensinando os moradores a se prevenirem contra o Aedes Aegypti.

A Bá me ensinou que amor é o que a gente tem de mais precioso pra oferecer pro mundo. E, mesmo a um continente de distância, ela ainda me faz sentir o quentinho do seu abraço.

À MARTA

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Quando eu me mudei pro Rio, foi um choque. Largar o nosso ninho é difícil e eu, com 17 anos, me sentia uma criança. Queria família, um senso de segurança, um lugar pra me apoiar.

E aí tinha a Marta. A gente é irmã, mas eu cresci em Salvador e ela no Rio. E foi só aos 17 anos que a gente se viu morando na mesma cidade. E foi assim que a gente se descobriu uma pra outra. E ela virou amiga, conselheira, meio mãe, meio irmã. Me arrastou pra todos os lugares, praias, festas, shows, barzinhos. Me apresentou pra galera dela. Me levou pra dentro de casa. O meu primeiro Natal sem os meus pais foi com ela.

A Marta pra mim é meio Mestre dos Magos. Aquela que sabe a hora de falar e nunca fala bobagem. Eu virei gente grande do lado dela, ouvindo seus conselhos, chorando no seu ombro, descobrindo suas fraquezas, ou simplesmente comendo brownie récem saído do forno, vendo televisão sem ter que falar nada.

Aí ela me deu dois sobrinhos. Os meninos mais legais que eu conheço, e ela me mostrou o que é ser mãe. E eu aprendi a amar duas pessoinhas de um jeito louco e novo que me fez muito melhor.

Essas são algumas das mulheres da minha vida. Tenho muito orgulho de dizer que tem muitas outras mulheres incríveis que fizeram e fazem parte da minha vida e me fazem uma mulher muito melhor.

E você? Já agradeceu às mulheres da sua vida hoje? Aproveite o dia e se declare pra elas. Conte o quanto elas são importantes. Diga o que as torna admiráveis. Ressalte o quanto elas te ensinam.

A luta é longa e árdua, mas fica mais fácil quando a gente reconhece as guerreiras que lutam do nosso lado.

 

 

  • Ana Carolina Jobim

    que post lindo, cheio de amor ❤️

    • Jojo

      Cheio mesmo! <3

  • Allana C.

    <3

    • Jojo

      <3 <3 <3

  • Aline

    Que incrível esse texto Jô ❤️

    • Jojo

      Obrigada, Aline! Que bom que você gostou. Foi escrito com puro amor e admiração por essas moças.

  • Gisele Moura

    Como é necessário e importante esse exemplo feminino, de vir da mãe a mensagem de abrace o mundo e o enfrente que você pode… não vou comentar o meu caso porque é justamente diametralmente oposto… e o prejuízo da uma criação assim é incalculável.

    • Jojo

      Oi Gi, concordo com você. Super importante mesmo. Espero poder transmitir isso pros meus filhos um dia!

  • Gisele Cristina Rubert

    Simplesmente lindo!!! <3

    • Jojo

      Obrigada, Gi! <3

  • Krislane de Andrade Matias

    seu melhor post <3

    • Jojo

      Obrigada, Kris! Fico muito feliz! Foi escrito com muito amor!

  • Shamya Azevedo

    vc conseguiu me emocionar profundamente! que texto lindo….cada foto irradiando amor verdadeiro. obrigada, Jojo!

    • Jojo

      Oi Shamya, que delícia ver que o amor que sinto por essas moças transparecer no texto! Obrigada! Beijoca

  • Lívia Hungria

    Chorando aqui…Obrigada, Jô! De coração, obrigada!

    • Jojo

      Que lindo, Lívia! Fico feliz que o post tenha te emocionado!

  • Andréa Oliveira

    Lindoooooo, eu tb tenho uma Ba na minha vida, a minha chama Zen, cancer surivivor! Nao vejo a hora de chegar no Brasil pra abracar ela!

    • Jojo

      Que linda! Parabéns pra todas as Bás! Tão importantes nas nossas vidas!