Eu visitei a sede da Zara e fiz as perguntas que todo mundo queria fazer
20 de julho de 2017 POR Jojo COMENTA AQUI!

Desde que eu comecei o blog, a primeira pergunta que todo mundo me faz é: “Jô, a Zara nunca entrou em contato com você?”.

Nunca, minha gente. Nesses seis anos de blog, não recebi nenhum email, ligação, pombo correio ou intimação por parte da Zara, nem pra me dar um ano de roupas (já que eu fiquei um ano sem, né?) e nem pra me processar, então, no fim das contas, sempre tive a sensação de que saí no lucro nessa história.

E assim vivemos, durante muito tempo, eu aqui, a Zara lá. Minhas interações com a gigante da moda se resumindo basicamente às esporádicas vezes que eu entrava na loja que fica perto do trabalho, seja pra ver o que tá rolando ou pra comprar alguma coisa (sim, eu ainda compro na Zara, bem menos do que antes, mas compro). Até que rolou essa viagem pra Espanha.

Quem leu esse post aqui já sabe sobre a viagem que eu fiz pra San Sebastián a convite da Secretaria de Turismo da Espanha. Pois bem. No meio da organização do roteiro junto com o pessoal da Espanha, surgiu a oportunidade da gente dar uma esticadinha depois de San Sebastián e ir até La Coruña. O motivo: conhecer a sede da Inditex, maior grupo de varejo de moda do mundo, mais conhecido como “donos da Zara”.

Sim. Euzinha, que há seis anos comecei um desafio chamado Um ano sem ZARA, estava sendo convidada a pisar lá onde essa empresa nasceu. Se vocês também tão achando surreal, imagina como eu fiquei.

O convite era pra ir como imprensa. Sem nenhum pagamento envolvido. Sem ter que fazer propaganda alguma. Eu, a Manu e a Bia iríamos pra conhecer melhor a empresa por dentro, como funcionam as áreas e, o mais importante pra mim, estaríamos livres pra fazer as perguntas que a gente quisesse e pra escrever o que a gente quisesse (se quisesse) a respeito da visita.

Chegamos em La Coruña lá pela hora do almoço e fomos recebidas por um motorista no aeroporto. De lá, seguimos pra um restaurante onde fomos recebidas por duas gerentes de marketing da Zara e a chefe de relações públicas do grupo Inditex.

Foi super bacana poder estar na mesma mesa com essas moças, ouvindo um pouco mais sobre a história e as curiosidades por trás do império da Zara. Como o fato de que o Sr Ortega, fundador do grupo, ainda vai trabalhar todos os dias, do alto dos seus 81 anos. Ou que o nome da Zara era pra ter sido Zorba, mas na hora de registrar no cartório, o Sr Ortega descobriu que já tinha uma loja com esse nome.

Também falamos sobre coisa séria, como as 170.000 pessoas que a empresa emprega atualmente pelo mundo. Hoje são mais de 7 mil lojas distribuídas em 93 países.

Do almoço, fomos direto pro centro de logística e distribuição da Inditex. Só contando, não dá pra ter noção do tamanho desse lugar, minha gente. O troço é gigantesco. (olha o tamanho dos carrinhos do lado do prédio pra vocês terem uma ideia)

OFICINAS INDITEX DE ARTEIXO, A CORUÑA

Também não tinha como não ser. Por hora, a empresa produz mais de 35 mil peças em países como Portugal, Espanha e Marrocos. Quando prontas, essas peças vão justamente pra esse centro de distribuição em La Coruña, onde são passadas e embaladas pra seguir pras lojas da Zara no mundo inteiro. Tudo isso em 48 horas, permitindo que cada loja da Zara receba uma leva de roupas novinha duas vezes por semana.

Pra dar conta desse volume todo, o centro de logística é todo automatizado. Praticamente não se vê gente, só trilhos que carregam roupas e caixas pra cima e pra baixo.

Revistas, libros, editoriales y catálogos donde ha publicado el fotógrafo de arquitectura David Frutos

Revistas, libros, editoriales y catálogos donde ha publicado el fotógrafo de arquitectura David Frutos

Mas o que dá mesmo a noção do volume de peças que passa por ali é ver aquelas centenas de roupas exatamente do mesmo modelo, uma do ladinho da outra, prontas para irem viajar o mundo até chegarem até você. Olha essa quantidade de blazer preto aí atrás de mim. Todos iguais.

UASZ_Visita_Inditex_6

Depois da área de logística, subimos alguns andares e chegamos no escritório, onde ficam os departamentos de design e desenvolvimento da Zara Woman, Zara Man, Kids e Home. Cada uma em um andar diferente.

É ali que fica a galera que busca referências, desenha as coleções, escolhe os materiais. E onde são desenvolvidos os primeiros protótipos que vão servir de guia para a fabricação das peças.

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Andamos por todos os andares, enormes e super espaçosos, com designers sentados sempre em frente a um buyer, os caras que pegam o desenho da peça e vão em busca dos materiais pra produzir aquela peça (desde tecido, passando por todos os aviamentos).

Bem do ladinho dessa galera, numa das extremidades do prédio ficam os estúdios fotográficos. São mais de 15 estúdios que servem pra fotografar todas as peças que vão entrar pro site da marca. A movimentação é grande por ali, com modelos, fotógrafos e stylists andando pra cima e pra baixo diariamente.

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A parte final do nosso tour foi passear pelo corredor enorme que abriga as lojas modelo, lojas onde a galera de visual merchandising estuda exatamente como cada coleção vai ser apresentada dentro da loja. Sim, desde como vai ser a vitrine até que peças vão ficar juntas na mesma parede, na mesma arara. Aí eles criam um guia que deve ser replicado em todas as lojas da rede. Tudo pra gente estimular as combinações, fazendo com que consumidoras se encontrem mais facilmente e sintam aquela vontade malvada de comprar mais do que uma só peça.

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De propósito, eu resolvi fazer todas as perguntas no final. Queria primeiro ver tudo, ouvir o que elas tinham pra dizer, pra depois questionar. E assim foi. Chegamos ao final do nosso tour e eu falei que tinha algumas perguntas a fazer e que, inclusive algumas dessas perguntas vinham diretamente de leitoras que me enviaram suas dúvidas pelo Instagram. Basicamente todas elas abordavam, de uma forma ou outra, os escândalos sobre trabalho escravo em que a Zara constantemente se vê envolvida. Perguntei qual era a posição da empresa sobre isso e o que de concreto estava sendo feito para evoluir as condições de trabalho nas fábricas.

A resposta veio da chefe de relações públicas da empresa, tão eloquente que parecia que ela já tinha aquele discurso na ponta da língua (imagino que eu não tenha sido a primeira pessoa a perguntar alguma coisa do tipo).

Ela explicou que a Zara é uma empresa de capital aberto e, por isso mesmo, tem que se submeter aos mais altos padrões de produção e passar por auditorias constantes. Reforçou que a Zara tem um compromisso forte com oferecer condições de trabalho dignas aos seus funcionários e blá blá blá. E que tudo isso tá lá explicadinho no site deles. E que o problema é que parte da fabricação é terceirizada e muitas vezes esses terceiros acabam também terceirizando (ou seria quarterizando?) a produção. E é aí que o bicho pega porque eles perdem o controle.

Ela também falou que muitas dessas empresas estão localizadas em países que nem tem leis trabalhistas então os próprios governos são cúmplices dessas situações. Porém ressaltou que a Inditex luta pra que isso não aconteça.  Ela mencionou que qualquer rumor é investigado a fundo e essas empresas são vetadas para sempre de fornecer para o grupo Inditex.

Entendeu? Entendi. Tudo bem, tudo lindo na teoria, PORÉM (e esse “porém” vem em caps porque ele é bem grande mesmo) vamos combinar que dava pra fazer mais do que isso?

A Zara fatura hoje mais de 5 bilhões de Euros anualmente. Não dava pra se empenhar mais em melhorar a cadeia de produção? Eu acho que dava. Uma empresa desse tamanho não pode fazer só o básico. Não pode se conformar que não dá pra ter controle.

Imagina se a Zara, do tamanho que ela tem, resolvesse mudar de verdade o mercado de moda? Imagina que poderoso isso ia ser? Imagina se eles resolvessem faturar um pouco menos e investir uma parte dos lucros em garantir uma cadeia produtiva melhor.

Eu acho que ia ser bem maneiro.

E aí você me pergunta: Jojô, valeu a pena ter ido lá?

Valeu pra caramba. Primeiro pra me informar. Acho que a primeira coisa que a gente precisa ter quando vai falar sobre um assunto é conhecimento sobre ele. A Zara é um gigante que começou do nada. É impossível não ter um tipo de admiração (será que essa é a melhor palavra? mas enfim) pelo espírito empreendedor do Sr Ortega e pela maneira como ele criou seu império. Sim, hoje a Zara contribui para o desenvolvimento de diversas regiões, gera empregos e democratiza a moda com roupas que traduzem as tendências a preços mais ou menos acessíveis.

Mas tudo isso vem a um custo. O custo de um processo produtivo muitas vezes cruel e um incentivo ao consumo que gera pessoas como eu há seis anos atrás, obcecadas por comprar, dependentes emocionalmente de roupas novas, e que se afundam em dívidas pra comprar peças que nem precisam.

Depois que eu vi o True Cost (documentário incrível sobre a indústria da moda, disponível no Netflix), eu confesso que parei totalmente de consumir em fast fashions por algum tempo. Até hoje tenho muito bode da H&M e nem entro lá (a marca é super massacrada no documentário justamente por ser a que mais produz em países de terceiro mundo, especialmente na Ásia). Mas voltei a comprar algumas coisas na Zara (muito menos do que comprava antes) quando vim morar em Londres porque marcas independentes aqui costumam ser bem mais caras e eu ganho menos aqui do que eu ganhava no Brasil.

Mas confesso que não gosto muito da sensação que me dá não. Me sinto cúmplice de uma coisa que eu não acho legal. Enfim, tô trabalhando isso ainda dentro de mim. Enquanto isso, vou usando esse espaço aqui, que é o meu veículo de comunicação, pra falar sobre esses assuntos na esperança de que esse tipo de post gere debates, que gere pressão sobre essas marcas e que, eventualmente, gere mudanças pra melhor.

É isso, minha gente, já falei muito por hoje, né? É que o assunto é complexo. A boa notícia é que a gente pode (e deve) continuar sempre falando dele. Me dá a sua opinião sobre tudo isso aí nos comentários? Se quiserem também podemos fazer uma live sobre isso. Me digam. A voz do povo é a voz de Deus por aqui.

 

 

 

 

 

 

 

 

  • Tatiana Franceschini

    Jojô, imagina que doido se a Zara fosse da Miroslava Duma? http://www.fashionismo.com.br/2017/06/miroslava-duma-moda-tecnologia-e-ciencia/

  • Leila Diniz

    JoJo, vc chegou a contar para eles sobre a existência e projeto do UASZ? Beijinhos mil. Leila Diniz. ( http://www.leiladinizblog.com/ )

  • Nádia Simonelli

    Oi Jojo, adorei ver seu post e ver sua posição tão sincera e honesta sobre esse assunto. Sou leitora assídua do seu blog desde o início e você me inspirou e inspira muito a mudar minha relação com o consumo de roupas. Compartilho desse sentimento com você quanto compro em fast fashions e estou cada vez mais empenhada em conhecer marcas nacionais e pequenos produtores. Realmente, o preço é algo que pega, mas isso também nos faz comprar menos e melhor. Muito legal você dividir isso com a gente e continue fazendo isso, por favor. Você é a única blogueira de moda que eu acompanho 🙂

  • Amei a sinceridade, a emoção e as reflexões! Demais, Jojo!!! Vamos debater!

  • Sara Esteves

    Jo, tou arrepiada de ler esse post.
    Assim, MUITO obrigada. Quando li o título fiquei um pouco “=S como terá sido? Será que a Jo ficou maravilhada e/ou não pode falar do tema das fábricas na Ásia?”
    Mas não, amei o post e ainda fiquei a amar mais você!

    Estou numa fase muito parecida com a sua: muito juízo nas compras e a pensar com muito cuidado de onde a peça vem, quem eu estou a apoiar ao dar o meu dinheiro… E já não sinto os olhos brilharem quando entro numa Zara (ou outra fast fashion), não dá para sentir isso ao mesmo tempo que se sabe que há pessoas com caras como as nossas, famílias como as nossas, sonhos e esperanças como nós temos… (sem falar no ambiente!!)
    É muito bom estar a crescer junto com você Jo.

    Beijo grande!
    PS: Já vinhas a Portugal fazer um “meeting” com as tuas seguidoras!!!! ;D

  • Camila Bragança Sponchiado

    Adorei o texto. Também me sinto desconfortável em consumir em fast fashions. Por um lado, democratizou o acesso a peças com informação de moda mas, por outro, distanciou o acesso a trabalhos mais artesanais e em menor escala, pois esses acabam custando muito. Me questiono muito também e reflito muito na responsabilidade nossa como consumidores.

  • Martha Dias

    Muito bom o texto… entendo que a Zara poderia ajudar a fazer essa mudança no setor de produção… mas infelizmente o capitalismo pensa em primeiro lugar no lucro, então o restante é esquecido, por ex. como as pessoas que produzem, a qualidade de vida desses trabalhadores, as garantias funcionais e remuneração, etc. Uma pena!!!

  • Carol Lauar

    Sabe, uma boa opção para sair desse ciclo de roupas novas é comprar roupas de segunda mão. Também há roupas de fast fashion por lá (e outras mais bacanas ainda), mas que vêm de outra dinâmica e não produz essa pressão na demanda de se produzir mais peças novas. Além de contribuir pra diminuir o lixo. Na verdade, é mais complexo que isso mas em poucas palavras é mais ou menos isso. Pensar o consumo de forma consequente e tentar fazer cada um nossa parte pra tentar diminuir a demanda, pra esses gigantes entenderem que há que se desacelerar o uso de recursos e a produção surreal de bilhões de peças pro mercado… idealista? Pode ser. Mas comprar de segunda mão (Enjoei!) ou fazer bazar de troca são bem mais legais, pra todo mundo. É um Statement de consumidor também.

  • Denise Leite

    Jojo, adorei seu texto!
    Desde que comecei a ler seu blog tenho me questionado mais sobre o que, e onde compro. Parabens!

  • Maki De Mingo

    eita que eu fiquei doida com esse post! acho incrível que você teve essa oportunidade justamente pra se informar e entender melhor como a coisa toda funciona. querendo ou não, é a melhor maneira que a gente tem de ter consciência sobre o que faz, né? informação é poder, dizem por aí. eu tenho me sentindo meio estranha de comprar em fast fashions tbm e tô começando um processo de me livrar delas. é difícil, marcas independentes e de produção nacional cobram mais caro e o meu salário não condiz :/ tem que ter planejamento, tem que ter paciência e tem que trabalhar essa sensação dentro da gente pra não fazer as coisas com culpa, né

  • Siloan Lima

    Texto phoda, se é que podemos 🙂 usar a palavra. Informação e discernimento é tudo. Acho que estamos mudando nossa relação com o consumo até por conta da geração do lixo. Eu mesma era um pouco assim como vc mas nunca me endividei. Mas olho hoje minhas roupas e vejo como comprava sem nexo e sem pensar, só pra ter mesmo. Peguei um pouco de ranço de comprar pq aqui no Rio é tudo muito caro e tem que valer a pena gastar o pouco que tenho. As vezes me pego com peças e fico analisando bem se devo ou não, se preciso, se combina com o que já tenho… E na maioria das vezes tenho desistido de comprar. Gostei muito e concordo que a empresa poderia fazer bem mais. Poderia usar materiais mais naturais. Poderia fazer campanhas de consumo excessivo. Enfim, poderiam mas…. E outra coisa, descobriram sobre seu blog ou nem falaram no assunto? beiju

  • Lívia Andrade

    Conhecimento é poder. Desde que morei na China e vi de perto como funciona a produção dessas grandes marcas resolvi não apoiar mais. Não consigo mais entrar numa H&M da vida ou Zara, passo longe. Temos o poder de mudar a indústria da moda, comprando diretamente de quem faz, ou pelo menos de marcas que sabemos que estão preocupadas em oferecer mais dignidade aos seus trabalhadores, que pensam em sustentabilidade. Você já viu o app Good on you? Ele mapeia marcas e dá um rate de acordo com 3 pontos: pessoas, planeta e animais. Tenho usado bastante!

  • Ana Odelli

    Sempre me sinto na mesma posição e sentimento quando entro em alguma fast fashion. Principalmente na Zara. Como se eu estivesse sendo cúmplice de uma organização exploradora e criminosa onde participam da escravidão de pessoas que não tem opções na vida e são obrigadas a aceitar o que tem!
    Acho que esse sentimento sufoca muitas pessoas.

  • Natália Nássara

    Jojô, que post incrível! Fico feliz por você ter tido a oportunidade de conhecer de perto a Zara e, mais ainda, por poder emitir sua opinião isenta e sincera. Sua forma de pensar e viver a moda influenciou muitão meu jeito de consumir atual, bem mais consciente, preocupado com as questões ambientais e humanas, e focado na produção local. Ainda compro em fast fashions (beeem menos do que antes), mas vejo com outros olhos aquilo que vem de perto de mim, é produzido por pessoas que conheço, que o fazem com carinho… enfim, muita coisa tem mudado por aqui, obrigada por isso. Bjão!

  • Assim que me mudei pra fora do país também me vi “precisando” recorrer a fast fashions para comprar casacos e suéters (coisa que aqui no Rio é mito haha), por ser facilmente encontradas e por motivos de “winter is coming”. Com calma, contudo, a gente vai encontrando lojas com preço mais amigável e produção mais humana mesmo. Com o tempo, fui “descobrindo” os brechós que têm uma pegada que vai muito além da revenda de roupas usadas, e passa por uma curadoria bacana, em que você vai se identificando com a “imagem” daquele brechó. Sou ferrenha de que nunca podemos perder a oportunidade de conhecer melhor aquilo que questionamos e criticamos, até mesmo para elaborarmos argumentos que vão além do que muitos reproduzem. Sempre que eu penso nessa historinha de “perdemos o controle quando ‘quarteirizam'”, penso na Lush, que simplesmente bloqueia qualquer empresa que terceirize sua produção, proíbe em cláusulas de contratação que aquela produção terceirizada contrate outros para fazer o que havia sido combinado para entregar à Lush, sempre com uma fiscalização bem restritiva. Podemos um dia morder a língua e descobrir algum infortuno desta empresa, mas até então segue como meu exemplo. Acho que seria uma live sim, ou algum vídeo/ post mais aprofundado!

  • Fernanda Dutra

    Muito bacana o seu texto, Jô! Eu trabalhei um tempo num programa da Organização Internacional do Trabalho (OIT) chamado Better Work (betterwork.org), que tem a Inditex, a H&M e outras várias gigantes como parceiras. Eles basicamente oferecem assistência direta às fábricas, treinando mulheres para virar supervisoras, ensinando medidas de segurança na fábrica, etc. E eles também têm um trabalho de pesquisa para monitorar a efetividade das ações. Sabemos que as ações deles fazem a diferença mas o quê me deprime é saber que estamos começando láaaaa embaixo. Não vou conferir os dados pra cada país, mas digamos que o programa começou no Vietnã com 75% reportando passar fome no trabalho e aí isso cai pra 45% depois de x anos. Tá melhorando? Tá, mas ainda é terrível, terrível a situação dessas mulheres (sim, porque 75% das funcionárias é mulher nessa indústria). É deprimente. E os casos de abuso no trabalho?! Sim, caem, mas ainda são muitíssimo comuns… No fim, a indústria quer lucro e a estrutura do lucro inclui explorar países em desenvolvimento. Fica difícil acreditar que vai mudar enquanto for assim.

  • Grayce Gonçalves

    Parabéns pelo brilhante post, Jojo! Não esperava menos de vc! Muito sucesso sempre!

  • Paula Barroso Barcelos

    Gostei muito do seu texto! Fiquei um ano sem Zara pelos mesmos motivos. Depois assisti o documentário e cheguei a cogitar fazer minha tese de doutorado sobre dumping social, que é um fator de precarização das relações de trabalho (está na lista..rsrs). Agora, morando em Portugal é super difícil não entrar na Zara, por ser uma opção mais em conta, tbm passo longe da H&M.

  • Cris Muniz

    Agora me fala…e pq algumas peças ficam tortas quando lavam ou usam constantemente? Fica um horror de tortas! Vc perguntou isso p eles?