O mistério das botas
29 de julho de 2014 POR Jojo COMENTA AQUI!
Eu sou de Salvador e morei no Rio durante 9 anos. Quando cheguei em São Paulo, uma das coisas que mais me deu trabalho foi desvendar a lógica dos sapatos de inverno, mais precisamente, das botas. No Rio e em Salvador, a vida passa e a gente não sente necessidade de cobrir os pés (digo cobrir meeeeesmo, um cobrir que vai além do oxford/slipper/tênis pros dias menos quentes) a não ser por estilo.
Eu nunca fui muito de botas. O meu pé é relativamente grande (ah, vá, relativamente nada, ele é bem grande mesmo), então eu sempre fugi de qualquer tipo de calçado fechado demais ou masculino demais  que pudesse deixar os bichinhos ainda mais mondronguentos do que eles já são.
Além disso, bota é um troço caro. Sandalinha, sapatinho, um oxfordzinho, tudo isso dá pra encontrar por um preço camarada. Bota é mais complicado. Primeiro porque é mais caro mesmo e ponto (esse “caro” podendo variar bem, claro) e, segundo, porque, como vai ser um troço mais caro, o ideal é você investir numa que vai durar bastante.
Mas, hoje, depois de 4 anos nessa cidade, posso dizer que, finalmente, entendi como lidar com as eventuais necessidades botísticas. Deixa eu contar como que isso aconteceu.
Cês lembram dessa bota aqui, né? Eu comprei essa bota durante a viagem de final de ano pros States. Tava no meio do inverno e eu com um frio do cão (que eu achei que não fosse rolar em Miami, mas rolou e eu quase congelei). Entrei na Urban Outfitters em busca de roupinhas quentinhas e o que eu encontrei? Essa bota do link aí de cima. E em liqui.
Corta pro Brasil. Chegou o outono e eu usei a tal bota feito uma alucicrazy: com saia, com calça, com legging, com vestido, sem meia, com meia. E, convenhamos, não era a melhor bota da paróquia. Tinha sido baratinha e surgiu como uma solução pra um problema de frio imediato, mas não era, nem de longe, uma bota pra vida.
Ainda assim, eu segui usando a coitada. Até semana passada. No dia em que eu me deparei comigo mesma, no meio de uma reunião de trabalho no trabalho novo, com a tal bota que anda sozinha, senti uma pontada de vergonha. Eu não sou dessas de se incomodar com essas coisas, roupa velha, usada e tal (senão eu não seria tão frequentadora de brechós), mas deu vergonha mesmo.
Corta, tô no shopping no final de semana. Passo na frente de Arezzo: liqui. Na frente da Schutz: liqui. Entrei nas duas. A Arezzo tava com 50% de desconto em botas e bolsas. A Schutz tava com 50% em cima de botas. Entrei nas duas, experimentei as duas e, apesar da Schutz estar um pouquinho mais cara, a diferença valia a pena: uma bota exatamente como eu queria (bem parecida com a falecida), fácil de combinar com saia, calça, vestido e boa de verdade (couro bom, acabamento bom, confortável).
Bem , dito isso, look todo preto pra fazer jus a bota.

Calça jeans preta e moleton de renda preto pra dar um ar mais dramático e rebelde pra história.

Que combina perfeitamente com o clima cowboy moderno/do rock. Ó como ela é uma coisa linda!

Affe, falei um monte né? Tudo isso pra contar a minha dica do He-Man:
Não deixe pro ano que vem a bota que você pode comprar na liqui hoje.
Cês sabem que é raro me ver incentivando o consumo, assim, descaramente. Mas, nesse caso, a urgência se faz necessária. Veja bem, avalie comigo: todo ano vai ter frio (a não ser que você more na Bahia, no Pará, ou em Pernambuco, e por aí vai). Entonces, todo ano cê vai precisar de botas. Então, não aguarde o inverno do ano que vem (quando as botas vão estar custando os olhos da cara). Compre agora, aproveite as liquis e rock your boots no inverno que vem.
Té amanhã!
Créditos:
Calça: Zara
Sapato: Schutz
Moleton de renda: H&M
Óculos: Asos