O dia branco
11 de Março de 2015 POR Jojo COMENTA AQUI!
Eu passei uns dias fora, mas foi por causa boa. Acontece que eu casei e fui passar lua de mel lá em Fernando de Noronha. Paraíso mesmo aquilo lá, mas internet que é bom, não tem muito por lá não. (Se bem que, no caso da lua de mel, nem faz tanta falta.)Depois de uma semana nadando com o marido e os golfinhos, cá estou eu, doida pra rebobinar o tempo e viver tudo aquilo de novo. Sorte minha, o Rafa (Bigarelli, fotógrafo do casório), resolveu contribuir com a minha nostalgia e me mandou somente uma prévia de 2 mil fotos.

Quando dei por mim, tinha passado boa parte do dia apertando a setinha pro lado do computador. E rindo. E chorando.

Não tem como contar pra vocês sobre esse dia num post só. Então, vou fazer o que posso e contar no meu tempo, do meu jeito. Talvez (e provavelmente) esses posts sirvam muito mais pra mim do que pra vocês. Então, peço paciência. É só eu tentando, de verdade, voltar no tempo, pra viver o melhor dia da minha vida.

Vamos lá!

A primeira vez que eu sonhei com o 28 de fevereiro de 2015, eu vi um dia de sol e céu azulzinho. Um final de tarde com pôr do sol daqueles de tirar o fôlego e uma brisa gostosa só pro pessoal não morrer de calor. Festa na praia precisa disso. A cerimônia, ao ar livre, pedia só isso. Um dia bonito.

Uma semana antes, eu teimei de olhar a previsão do tempo no celular. A gente tava no carro e o meu olho encheu d’água. Quinta: sol. Sexta: sol. Sábado: nuvem com trovão. Ele olhou pra mim, eu só mostrei o celular e, antes que eu piscasse e a primeira lágrima rolasse, ele falou: “Pára. Pensa que vai chover. Vai chover e tá tudo bem.”.

Eu parei de chorar, mas cheguei em casa e fui olhar o Climatempo. Afinal de contas, essa-droga-de-iphone-sempre-erra. Abri o site e só encontrei nuvens e trovões de novo.

O dia 28 chegou colorido e, por isso, São Pedro e Santa Clara terão minha eterna gratidão. Não há nada mais tranquilizador para uma noiva do que abrir a janela do quarto e dar de cara com o céu azul. E foi na paz desse azul que eu me arrumei. Rodeada de sorrisos e abraços e umas taças de champagne que ninguém é de ferro.

Eu tinha pedido um dia colorido. Eu tinha sonhado com um céu azul e um pôr do sol cor de laranja. E quando eu dei os primeiros passos na direção do altar, eu só enxerguei cor. A cor dos olhinhos que brilhavam na minha direção. A cor dos vestidos floridos. A cor da grama no chão e das folhas das árvores em cima da gente. A cor das flores pelo caminho. A cor dos sorrisos. A cor da alegria. A cor de uma concentração gigantesca de amor.

Só hoje, vendo as fotos da cerimônia, foi que eu olhei pro céu. Nada de azul. Nada de laranja. Nada de cor. Só branco.

Um céu branquinho. Um quadro em branco que a gente pintou do jeito que a gente quis.

Engraçado que uma das músicas que a gente tinha pensado pra cerimônia tinha sido Dia Branco. Eu sempre amei a música, mas confesso que só consegui entender ela direito hoje, quando vi o céu branco e as cores no chão. E lembrei dele me dizer que ía chover e que tudo bem.

É isso que o cara lá do meu lado no altar faz por mim todos os dias: me promete o sol, ou a chuva, ou o dia branco, se branco ele for. Basta eu ir. Basta ele estar pro que der e vier. Comigo.

Agora chega que já tô chorando! Mais tarde tem post só sobre o vestido!

P.S. As fotos deste e dos próximos posts do casório são do Rafael Bigarelli, fotógrafo que o destino jogou no meu caminho e que virou amigo pra vida. Brigada, Rafa!