Alimento para o pensamento: meu celular roubado e outras coisinhas que me fizeram pensar
20 de julho de 2015 POR Jojo COMENTA AQUI!
Foram 9 horas sentada no ônibus pensando. Eu tinha ido passar o final de semana em Los Angeles pra encontrar uma amiga e as passagens de avião em cima da hora tavam caras demais. A opção foi encarar a monotonia da estrada em linha reta com o consolo de que o ônibus tinha wifi.A amiga valeu cada minuto de monotonia olhando pros campos de feno sem conseguir esticar as pernas direito. Até a chuva que caiu ontem na cidade em que nunca chove foi bem vinda, e o nosso dia pareceu uma tarde de verão há 10 anos atrás no Rio de Janeiro com a gente em casa conversando na sala de casa sem pressa.

Mas, no meio do nosso final de semana, numa baladinha sábado à noite em West Hollywood, alguém abriu a minha bolsa e roubou o meu celular. E eu só me dei conta quando olhei pra baixo e vi a bolsa aberta.

Não levaram mais nada. A carteira continuava lá com meus cartões e documentos intactos. E eu ficava tentando repetir pra mim mesma: pelo menos não levaram o passaporte, imagina o trabalho que ia dar pra fazer um novo aqui? Mas a verdade é que me senti muito, muito invadida. Não sei se sou eu, se é porque o meu celular é quase um instrumento de trabalho pra mim ou se porque não tem seis meses que eu comprei. Mas senti como se alguém tivesse entrado no meu quarto e roubado o meu diário. A minha vida ali, as minhas fotos, o meu trabalho, o meu contato com família e amigos que tão lá do outro lado do mundo, tudo roubado. Tudo nas mãos de alguém estranho que provavelmente já tinha desligado o telefone e jogado o chip fora. Descartado o meu diário como se não tivesse nenhum valor.

Hoje foram mais 9 horas no ônibus. E, desconectada do mundo, eu fiquei pensando nesse desconforto que ainda permanecia comigo, mais de 24 horas depois da minha separação abrupta do meu celular.

No primeiro momento, pensei que tinha que rever a minha relação com esse mundo virtual. Que não era possível me sentir tão desamparada só por ter perdido o celular. Eu sou do tempo que a gente marcava de se encontrar com os amigos pra pegar um cinema pelo telefone fixo. Tal hora, tal lugar. E dava certo. Mas, no meio de tudo isso, lembrei da angustiazinha que dava sempre que chegava no cinema primeiro e não via ninguém. Do medo de ficar sozinha, de ninguém aparecer. E do alívio quando uma cara conhecida aparecia em meio à multidão.

O celular virou a certeza da cara conhecida. Esteja ela 5 minutos atrasada ou do outro lado do mundo. Pensei em como é gostoso viajar pra passar um final de semana com a amiga e ter a segurança de que a minha saudade do moço que eu deixei em casa pode ser aplacada antes mesmo dela começar a apertar. Ou participar dos encontrinhos semanais das amigas que tão lá no Brasil. Ou falar com os meus pais sempre que dá vontade, neles ou em mim.

Ao final das 9 horas de estrada entendi que amo viver um momento do mundo em que a tecnologia me ajuda tanto a fazer tantas coisas. De trabalhar de onde quer que eu esteja a amar à distância. Talvez se não fosse isso, eu não estaria tão feliz vivendo onde estou agora. O melhor foi perceber que eu não abro mão de estar com quem eu amo quando é possível (mesmo que isso signifique enfrentar 9 horas no busão).  Mas que quando não é, o mundo está dentro desse retangulinho que a gente guarda no bolso. E lá vou eu comprar um novo diário.

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Ah! E, só pra não passar batido, coisas que eu ví essa semana e queria dividir com vocês:

Mrs Glamorazzi, é a primeira mega poderosa blogueira de beleza e fenômeno do YouTube a sair do armário. Ela fez esse vídeo super emocional contanto sobre sua trajetória de auto descoberta e aceitação. Eu chorei 🙂

E vocês viram o discurso da Caitlyn Jenner no ESPY Awards? O ESPY é um prêmio anual de excelência esportiva e Caitlyn recebeu o Arthur Ashe Courage Award por sua coragem em sua trajetória. O discurso dela é absolutamente inspirador.

Outro assunto que causou polêmica nas redes sociais essa semana foi o fato do Instagram ter banido a hashtag #curvy (“com curvas”) da rede social. Segundo eles, a hashtag estava sendo usada para descrever diversos conteúdos pornográficos. O povo na web ficou bem revoltado com a atitude do Insta, especialmente porque hashtags como #thin ou #skinny (ambas significam “magra”) também contém conteúdo pornográfico e são inclusive usadas para incitar anorexia. Essa matéria do M de Resultado: muita gente postando foto mostrando suas curvas e pedindo uma revisão da política do Instagram atrvés das hashtags #curvee #bringbackcurvy (“tragam de volta o curvy) e #everybodyisbeautiful (todos são lindos). Algumas fotos aqui, nessa matéria do M de Mulher.

E já que eu comecei o post falando sobre tecnologia que ajuda as pessoas a viverem melhor, eu fiquei super emocionada com esse vídeo aqui. Nele, um menino daltônico vê todas as cores pela primeira vez através de um óculos desenvolvido especialmente para ajudar daltônicos a enxergarem como as outras pessoas.

Boa semana, gente!