Alimento para o pensamento. Sim, de novo. :-)
13 de julho de 2015 POR Jojo COMENTA AQUI!
Domingo passado eu tava aqui em casa de bobeira, pensando na vida e resolvi escrever um post sobre as coisas que tinha visto durante a semana que tinham, de alguma forma, me inspirado e servido como combustível para discussões produtivas.O post em questão, chamado, Alimento para o Pensamento, foi desses que eu posto porque gosto e porque acho que, se ao menos uma pessoa gostar também, já valeu a pena. Pra minha surpresa, teve um monte de gente que fez questão de comentar o quanto gostou do post e se inspirou também. E sugeriram que ele se tornasse uma sessão fixa aqui no blog.

Então, cá estou eu, num novo domingo, sentada no sofá, pensando na semana que passou e nas coisas que encontrei por aí que alimentaram o meu pensamento.

SOBRE CAVALHEIRISMO

Queria começar, contando sobre esse texto que li logo no início da semana sobre cavalheirismo. Não sei se o texto é novo ou antigo, mas dei de cara com ele na minha timeline no Facebook e resolvi dar uma lida por ser um assunto que não tenho uma opinião formada. O texto, escrito por Alex de Castro no site Papo de Homem, estabelece a tese de que cavalheirismo é uma conduta inerentemente machista.

Ao longo do texto, ele apresenta argumentos bem contundentes. Tipo: por que ser gentil só com as mulheres? Por que homens não são gentis com homens também? Segundo Alex, sua fórmula para entender se certa atitude tida como cavalheiresca é ou não é machista é simples: você (homem cavalheiro) faria a mesma coisa pelo personagem hipotético Toninho Bombadão? Ex: antes de carregar as malas pra uma moça, se pergunte: você carregaria as malas do Toninho Bombadão? Ou, antes de se oferecer para pagar a conta do bar/restaurante/motel/o que quer que seja, se pergunte: você pagaria pro Toninho Bombadão?

Eu confesso, li tudinho e concordei racionalmente com vários pontos do Alex. Mas um lado de mim (talvez o do coração e não o da cabeça) ainda acreditam no cavalheirismo. Pra começar, um dos meus melhores amigos e um dos caras mais feministas que eu conheço é, também, um dos maiores cavalheiros que já vi na vida (mas até aí o cara é realmente gentil com todo mundo, acho que seria até com o Toninho Bombadão).

Eu cresci ouvindo uma das frases que o Alex menciona no texto. Minha mãe sempre me ensinou que eu deveria ser independente. Que, não importa com quem eu estivesse na vida, eu precisava ter o meu dinheiro, o meu trabalho, o meu círculo de amizades. Que a pior coisa do mundo é você estar numa relação porque precisa estar, porque não tem alternativa. Ela dizia: “Minha filha, não existe almoço de graça.  Se alguém te banca, uma hora te cobra.”

Eu acredito muito mesmo nisso. Que independência é um dos bens mais preciosos que a gente (especialmente como mulher) pode ter. Porém, ainda me pego achando bacana quando o meu marido carrega as minhas malas.

Podem ser séculos de opressão, como diz o Alex em seu texto, mas sempre fui dessas que espera que, no primeiro encontro, o cara se ofereça pra pagar a conta (especialmente se foi ele quem convidou). Não, nunca fui de sair sem carteira porque achava que o cara era OBRIGADO a pagar. E, mesmo se ele se oferecesse, eu sou bem educada e oferecia pra dividir. E, se ele aceitasse, não achava um pecado mortal. Mas se ele mandasse um “faço questão”, eu achava legal também.

E não acho que ele estivesse me diminuindo por isso. Lógico que, na segunda saída, quem ia fazer questão era eu. E tudo bem. Acho que o cavalheirismo faz parte de um ritual de sedução natural do início de qualquer relação. A gentileza que quer seduzir o outro, mostrar seu melhor lado e tudo que mamãe ensinou direitinho. Eu, por exemplo, falo alto pra caramba. Mas, num primeiro encontro, tentava lembrar de todas as vezes que a minha mãe falou: “Fala baixo, Joanna!” e me fazia de lady e falava em tom de gente normal.

Nesse sentido, entendo o cara querer pagar a conta na primeira saída ou me oferecer o casaco se o ventinho tá frio. Talvez ele não fizesse a mesma coisa pelo Toninho, mas até aí, talvez eu não falasse baixo com a Mariazinha também.  E não acho que só por isso ele vai tolhir a minha liberdade ou me olhar de cima pra baixo no futuro.

Que cês acham? Acho que cavalheirismo ainda é um tema que, pra mim, tem preto, branco e muitos tons de cinza no meio (não quis falar 50 porque a referência é simplesmente péssima para o assunto em questão). Portanto, opinem, concordem, discordem. O importante é a gente debater pra conseguir chegar a conclusões mais acertadas sobre o assunto, né?

SOBRE UMA MENINA EXTRAORDINÁRIA

Mudando um pouquinho de assunto, mas já que falamos sobre independência feminina ali em cima, hoje é aniversário da Malala Yousafzai. A ativista pelos direitos das mulheres à educação e mais jovem ganhadora do Prêmio Nobel da história completa hoje 18 anos! E sua comemoração não poderia ser diferente, ela está na divida da Síria com o Líbano, inaugurando uma escola para crianças refugiadas.

Se você não conhece a história dessa menina extraordinária, pode dar um Google agorinha. Em outubro sai o documentário “He named me Malala” que conta a história fantástica dessa menina. E eu choro só de ver o trailer.

SOBRE OS ABSURDOS QUE A GENTE TEM QUE OUVIR

Mais e mais mulheres da indústria do cinema tem se manifestado contra o sexismo e misoginia em Hollywood. Várias atrizes, entre elas Zoe Saldana, Cate Blanchett e Ellen Page, já se pronunciaram sobre o assunto.

Dentro do tema, eu achei esse tumblr bem interessante. Se chama “Shit people say to women directors” que, traduzindo pro português, significa “Merdas que as pessoas dizem pra mulheres diretoras”. A ideia é simples: expor situações constrangedoramente sexistas que mulheres diretoras (ou aspirantes a diretoras, ou ainda que simplesmente trabalham na indústria cinematográfica) enfrentaram ao longo de suas carreiras.

Criado em Abril desse ano, o próprio site declara já ter recebido mensagens suficientes pra um ano de postagens. Mensagens como essas aqui embaixo, de mulheres de todos os níveis da indústria que já foram vítimas de machismo.

 

 

SOBRE OS BABACAS QUE TEIMAM EM EXISTIR

Pra finalizar o nosso post com alegria e girl power, nesse final de semana a Serena Williams foi a campeã feminina do torneio de Wimbledon, na Inglaterra, pela sexta vez. E muita gente ficou bem feliz pela Serena, inclusive a J.K Rowling, que twittou:

“#SerenaSlam! Eu a amo! Que atleta, que exemplo, que mulher!”

Maaaas, lógico, sempre tem um babaca que tem que se pronunciar. Nesse caso, o babaca foi um usuário do Twitter, chamado Rob, que mandou: “Irônico que a grande razão por trás do sucesso dela é o fato dela ter a constituição física de um homem” (a expressão em inglês, se traduzida ao pé da letra seria: ela é construída como um homem).

Niqui J.K. não deixou barato e respondeu com uma ironia esperta e uma foto de Serena lindona de vestido vermelho e salto alto:

“aham, ela é ‘construída como um homem’, meu marido fica exatamente assim de vestido.”

Isso aí, J.K! Estou contigo! Serena é ídola, uma atleta exemplar e exemplo pra mulheres de todos os cantos. E nada que os babacas da internet digam vai mudar isso!

Boa semana procês!