4 canetinhas e um Vans pra chamar de meu
23 de agosto de 2015 POR Jojo COMENTA AQUI!
Já tem um tempinho que o tênis entrou na moda com tudo. Se antes o bichinho ficava restrito aos estilos mais pop e esportivos, hoje a tendência é inseri-lo em looks mais formais, especialmente com peças de alfaiataria.Eu não sou a loka das tendências e admito não encarar qualquer uma, mas nessa tendência específica sou réu confessa: amei essa coisa de misturar tênis com roupa mais séria. Quer desculpa melhor pra ir de tênis pro trabalho? Basta botar uma calça social e pronto, o tênis está automaticamente autorizado a adentrar o escritório. E isso é alegria pura de viver.

Porém, de uns tempos pra cá, uma coisa tem me irritado bem. Começou com a coisa do tênis branco. Você abria as revistas e em TODOS os looks, tava lá o tal do tênis branco. Podia ser azul? Não. Podia ser verde? Não. Só branco mesmo e obrigada.

Eu não tinha nenhum tênis branco e, num micro ato de rebeldia cotidiana, me recusei a comprar.

O tempo passou (um pouquinho) e a Adidas foi lá e lançou sua coleção Superstar em parceria com o Pharrell. Se você não lembra, olha ela aqui:

E, de repente, a onda virou ter tênis coloridos, inteirinhos da mesma cor.

Tô falando em termos bem genéricos. Lógico que tem outros tênis rolando por aí (especialmente um monte de New Balance), mas a verdade é que a mídia fashionística falou tanto desses tênis brancos e depois desses de uma cor só que parece que o mundo inteiro só tem isso.

Ni que, depois desse raciocínio todo, eu cheguei à conclusão de que queria um tênis que fosse só meu, que tivesse a minha cara. A solução? Comprei um Vans todo branquinho, algumas canetinhas de pintar tecido e separei uma tarde pra brincar de customizar.

Eu não sou ilustradora nem nada e nunca tinha feito isso. Portanto, pessoal, se eu fiz qualquer um faz.

O Vans branquinho (e suas variações genéricas) são uma opção ótima pra quem quer customizar porque o tecido é quase como uma tela de pintura mesmo. Outra coisa boa é que, como esse modelo clássico não tem cadarço, ele tem mais espaço pra gente pintar e fazer o que quiser.

As canetinhas da marca Molotow  (que comprei numa loja de material de desenho e pintura aqui em SanFran) são de tinta acrílica e, segundo a embalagem, permanentes em quase qualquer superfície. Eu confesso que entrei na loja sem saber muito bem o que comprar. Falei pros caras que queria pintar os meus tênis e fui na que eles indicaram.

Eu até tinha pesquisado bastante sobre Vans personalizados na internet e vi um monte de referências no Pinterest, mas acho que o segredo pra quem tá começando (como eu) é manter a coisa o mais simples possível. A verdade é que o desenho pode parecer simples na foto, mas quando é a gente que vai fazer são outros quinhentos.

Eu resolvi manter a coisa bem básica: listrinhas em diferentes tons de azul. Azul claro, médio e escuro e uma branca pra fazer o acabamento.

Dica pra iniciantes: não deixar uma tina enconstar na outra enquanto ainda estiverem fresquinhas. O que eu fiz foi pintar cada faixinha de azul com uma micro sobra entre elas e, no dia seguinte (depois de tudo já estar sequinho), passar a canetinha branca entre elas pra deixar tudo bem acabado e sem borrar.

Fiz o primeiro pé listrado e amei, mas queria que o outro fosse diferente. Já que era personalizado mesmo, porque não cada pé de um jeito?

Como as canetinhas eram todas azuis, tive a ideia de fazer as linhas como se fossem ondas do mar. Fiz a pontinha toda enquanto via TV com o boy. Foi quando ele olhou pro lado e disse: “Tá legal assim, se eu fosse você só pintava até aí.”

Dito e feito.

Não, eles não são perfeitinhos. Sim, tem uns pedacinhos borrados e umas linhas meio tortas, mas eu fiquei enlouquecida de paixão pelo resultado. O mais legal de tudo isso foi o processo: sentar, desenhar com o lápis primeiro, pintar e ir vendo as linhas tomando forma. Uma terapia gostosa e que resultou num tênis só meu.

Pharrell que me desculpe, mas não troco as minhas ondinhas e listras por nenhum Superstar. E recomendo pra todo mundo. Botar a criatividade pra fora faz um bem danado.