Alimento pro pensamento: reciclagem, adversidade, corpo perfeito e muita inspiração
9 de agosto de 2015 POR Jojo COMENTA AQUI!
Como domingo passado em tava lá em Chicago, aproveitando os últimos minutinhos das nossas mini férias, acabou que não consegui escrever o nosso post semanal de inspirações.O legal é que ao longo das últimas semanas, tenho recebido muitas sugestões de assuntos legais pra abordar aqui no Alimento pro Pensamento. Obrigada, meninas, pela generosidade de compartilhar ideias e inspirações pra que eu possa dividir com todo mundo aqui. É assim que a gente multiplica coisas boas, gera discussões importantes e (vamos ser otimistas nesse domingo?) muda o mundo.

Bora então?

SOBRE BOM HUMOR NA ADVERSIDADE

Eu tô tão empolgada pra ver esse documentário! Vi o trailer há umas duas semanas e ele me fez rir e chorar. Sim, o trailer. Em 1min e 48seg, eu ri e chorei com a história da Tig Notaro, uma comediante americana que, depois de se recuperar de uma grave infecção e de viver o luto pela morte de sua mãe, descobre que tem câncer nos seios. A maneira como Tig encara as adversidades e sua luta pela vida são absolutamente tocantes e inspiradoras.

SOBRE O CORPO PERFEITO

Fecha os olhos e imagina: qual o corpo dos seus sonhos?

A gente sabe que o padrão de beleza mudou muito ao longo dos séculos e hoje muito se discute sobre a ditadura do corpo perfeito. Pois a Universidade do Texas acaba de realizar uma pesquisa que aponta o corpo da modelo e atriz britânica Kelly Brook como o mais perfeito do mundo.

Brook tem 34 anos, 1,68 de altura e, segundo o estudo, proporções perfeitas.

Um escândalo de linda, né? Mas continuo não gostando do tempo “corpo perfeito”. Apesar de ficar feliz com o fato dela não ser magrelinha, acho que a denominação acaba jogando todo o resto da humanidade pra baixo. Que cês acham?

SOBRE SE SENTIR SEGURA

A Babi Souza é jornalista e mora em Porto Alegre. Há pouco mais de uma semana, ela criou o movimento Vamos Juntas?, uma solução colaborativa para um problema real pelo qual passamos todos os dias: o receio de andar sozinha pelas ruas.

A proposta é simples: “Na próxima vez que estiver em uma situação de risco, observe: do seu lado pode estar outra mulher passando pela mesma insegurança. Que tal irem juntas?”

Lógico que o mundo ideal é que mulher nenhuma jamais se sinta ameaçada por estar andando na rua sozinha. Mas a gente sabe que ainda estamos longe disso acontecer. Entonces, por que não se juntar e ainda criar e fortalecer um elo lindo de apoio e companheirismo entre as mulheres?

SOBRE RECICLAGEM NA MODA

A H&M e o Fashion Institute of Technology (faculdade de moda e design super hiper mega conceituada) se juntaram pra lançar a primeira Fashion Recycling Week. O projeto convida alunos da faculdade a criarem vitrines inspiradas em cidades do Reino Unido. Todas as vitrines serão criadas a partir de roupas doadas, como uma forma de incentivar a diminuição do desperdício na indústria da moda.

SOBRE HIROSHIMA

Durante décadas, falar sobre esse episódio desastroso da humanidade que foram as bombas de Hiroshima e Nagasaki era praticamente proibido. Sobreviventes tinham vergonha de contar suas histórias e sofriam preconceito pelas marcas que carregavam da tragédia.

Setenta anos depois, Toshiko Tanaka, artista japonesa que tinha apenas 6 anos no dia que a bomba caiu sobre sua cidade, é uma das poucas sobreviventes que ousa falar sobre o assunto. O motivo é simples. Toshiko perdeu quase todas as pessoas que conhecia na tragédia e, hoje, deseja fazer o mundo lembrar delas.

Toshiko deu uma entrevista emocionante ao Refinery 29. Eu fiquei tão comovida que resolvi traduzir alguns trechos pra vocês.

“Eu lembro desse dia com muita clareza. Eu tinha seis anos e dez meses na época. Eu saí de casa pela manhã com uma amiga. De repente, minha amiga apontou para o céu e disse: ‘Olha, um avião.” Ficamos olhando quando, de repente,surgiu um flash, como uma luz bem bem forte. Eu automaticamente cobri meus olhos com meu braço esquerdo e é por isso que meu braço, pescoço e parte do rosto sofreram queimaduras muito graves.”


“Eu estava muito queimada e sofrendo os efeitos da bomba, mas, ainda assim, consegui andar até em casa. Quando cheguei em casa, a minha casa estava destruída, mas minha mãe estava lá. Mas ela não foi capaz de me reconhecer. Ela não conseguiu ver que era eu porque meu cabelo havia sido queimado e cinza e minha pele havia queimado tanto que estava preta. Meu corpo e rosto estavam totalmente pretos.”

“Eu tinha uma tinha, um prédio desabou e ela ficou presa entre os destroços. Ela estava severamente queimada e ninguém podia ajudá-la. Nós tínhamos que fugir, tudo estava queimando ao nosso redor, então tivemos que ir embora e deixá-la lá. Ela foi queimada viva debaixo dos destroços. Foi tão doloroso pra nós – ela ficava gritando de lá de dentro, mas tudo o que podíamos dizer era que sentíamos muito e que tínhamos que fugir.”


“O governo Americano e o governo Japonês disseram para as pessoas não falarem sobre os efeitos da bomba durante seis anos. Para as pessoas de fora de Hiroshima, o governo falou que o estrago não havia sido tão grande e que as coisas já estavam de volta ao normal. Mas nada disso era verdade.


“Adicionalmente, as pessoas que sobreviveram à bomba foram vítimas de forte discriminação por outras pessoas do Japão, especialmente porque elas não sabiam o que tínhamos sofrido. Para nós, mulheres, se casar se tornou algo muito difícil porque os homens não queriam casar com alguém que tinha se ferido com a bomba. Os homens tinham medo de que as mulheres como nós não conseguiriam ter filhos ou teriam filhos com deficiências.


“Agora eu penso que preciso falar sobre as pessoas que morreram para que seus espíritos sejam consolados. Eu preciso falar sobre elas para que o mundo lembre desses que sofreram, porque conseguimos lembrá-los falando sobre eles. Mas me custou chegar aos 70 anos para conseguir ser capaz de falar sobre essa experiência.”

 

Toshiko (no centro) com sua filha, Reiko, e neta, Eri, e Seven Leeper, ativista pela paz,
em frente ao domo da bomba atômica em Hiroshima.

Toshiko tem toda razão. Falar é essencial pra que a gente não permita que desastres como esse aconteçam novamente. Memória e história servem pra isso, pra aprendermos com nossos erros.

Bom domingo, gente! Vamos aproveitar a vida e valorizar cada minutinho dela.