Quatro passos essenciais para a consciência fashion
31 de agosto de 2015 POR Jojo COMENTA AQUI!
A cada dia que passa tenho recebido mais e mais emails (e comentários no Instagram, no FB e no Snapchat) de gente de todo lado. Todas com um tema em comum: a vontade de consumir menos e consumir melhor.Uma vontade que se manifesta de várias formas. De dúvidas sobre armário-cápsula, a pedidos de listas de melhores brechós da cidade. De perguntas sobre ítens essenciais de estilo, a súplicas de ajuda para conseguir ficar algum tempo (que varia de mensagem pra mensagem, 3 meses, 6 meses, 1 ano, 1 mês) sem comprar.

A cada email, eu sorrio. Confesso, o lado mais vaidoso de mim escapole entre os lábios e sorri. E lá dentro eu penso: eu faço parte desse movimento.

Fiquei pensando nisso ontem (já combinamos aqui que domingo é dia de pensar, né?) e quis fazer mais posts sobre o assunto. Quero falar mais sobre essa coisa toda de ter mais consciência e de comprar menos e comprar melhor. Sim, eu acho que a gente já faz isso aqui no UASZ quando mostra como é legal repetir roupa ou como uma roupa pode ter um monte de possibilidades, ou ainda como dá pra vender aquilo que você não usa mais e comprar uma coisa velha de alguém que vai ser nova pra você.

Mas eu quero falar MAIS. Quero falar SEMPRE. Quero lembrar todo mundo sempre que ser escravo da moda não é um troço legal. Comprar uma bota (pode ser linda, deusa, top, mára, vida – ou qualquer outro adjetivo usado na blogosfera ultimamente – o quanto for) e não conseguir pagar a fatura do cartão NÃO É LEGAL. Gastar o din din do aluguel/da faculdade/do presente de aniversário de 60 anos da mãe num casaco novo NÃO É LEGAL, não é motivo pra rir e não é motivo pra tirar onda por aí. Pode anotar porque eu tô falando com conhecimento de causa.

(imagem de Elnur Babayev)

Tudo isso pra dizer que hoje eu vou começar atendendo alguns dos pedidos que tenho recebido e que tanto me fazem sorrir. Pra quem já me pede ajuda e pra quem ainda não sabe que quer, mas talvez precise.

CONHEÇA O ARMÁRIO QUE TEM


Me fala rapidinho aí quando foi a última vez que você tirou tudinho (tudinho mesmo) do seu armário e arrumou tudo de novo. Agora me fala se, quando você fez isso, você não deu de cara com uma roupa que nem lembrava que tinha. Pois é.

Aí, das duas uma: ou você ficou muito feliz de ter reencontrado a peça e usou a bichinha no mesmo dia, ou você nem ligou e tacou de volta nas profundezas da gaveta de onde ela veio.

Ambas as alternativas apresentam a mesma conclusão: você tem muita roupa. Tantas que é até capaz de esquecer de algumas.

Se o seu caso foi o primeiro e você AMOU ter reencontrado aquela blusinha, olha que coisa maravilhosa: você teve a sensação de uma roupa nova sem ter gasto 1 realzinho. Você comprou uma roupa nova no seu próprio armário.

Se o seu caso foi o segundo me fala: pra que botar de volta lá dentro um troço que você não usa há anos e nem lembra que tem? Bora fazer a economia circular. Tanto site de compra e venda de coisas por aí, escolhe um e vende essa bendita.

ASSIMILE: VOCÊ NÃO “TEM QUE TER” NADA

Must have significa “tem que ter” e tanto a expressão em inglês quanto a sua tradução viraram jargões mais do que corriqueiros na indústria da moda. O que eles pretendem: que você compre, compre e depois compre um pouquinho mais até que você não tenha mais dinheiro pra ir no bar da esquina comprar um guaraná usando as suas roupas novas que você “tinha que ter”.

Não, você não TEM QUE ter NADA. Você PODE ter várias coisas. E esse PODE significa que você (e só você) tem o PODER de escolher o que você quer ou não ter. É uma escolha SÓ SUA (eu sei, caps lock em excesso nesse texto de hoje, mas é por uma boa causa).

Então, na próxima vez que você abrir uma revista, ou um blog, ou um site e se deparar com essa expressão, eu quero que você treine uma coisa. Fale em voz alta olhando para a tal revista/blog/site: “Quem é você pra me dizer o que é que eu tenho que ter? Você me conhece? Sabe como é a minha vida? Sabe quanto eu ganho e o quanto eu ralo pra conseguir as coisas que eu quero?” Pode falar bem alto e botar o dedo na cara. Depois vire a página.

QUANTO TEMPO DURA A SUA ONDA?

Vamos admitir. Estamos falando de um vício. Vivemos em uma sociedade viciada em comprar. Todos os componentes do vício estão aí pra qualquer um ver: a gente compra coisas que não precisa, com dinheiro que não tem, pra ter uma onda (de felicidade/euforia/auto-estima) que dura não dura.

Sim, porque todas nós sabemos que a onda passa. E passa rápido. E logo você quer sentir ela de novo. Aquela sensação boa de comprar uma blusinha nova, quanto tempo ela dura? Uma semana? Acho que nem isso, né? Provavelmente ela acaba assim que você chega em casa depois de usar pela primeira vez.

Mas a verdade é que, no dia a dia, a gente não pensa nisso. A gente não pára e raciocina: “Caramba, gastei um dinheiro naquela blusinha e nem tô mais tão feliz de ter comprado.”. Não, a gente não pensa assim porque o vício cega. Quando a onda vai embora só nos resta mesmo buscá-la novamente.

Então, na próxima vez que você comprar um troço novo, desses que vai te deixar “MUITO feliz”, faça esse exercício: bote um alarme no seu celular pra exatamente uma semana depois da compra. O nome do alarme vai ser: “Você ainda tá feliz em ter pago R$_______ por mim?” Avalie friamente os resultados.

PENSE GRANDE

Qual o seu sonho? Tenho certeza de que você tem um monte. Se formar na faculdade. Fazer aquela festa de casamento. Comprar uma casa. Viajar o mundo. Ter o seu negócio. Dar uma vida confortável para os seus filhos. Cuidar dos seus pais.

De todas as respostas que você possa ter pensado para essa pergunta, acho difícil alguma delas ter sido: “Meu sonho é ter uma bolsa nova.”

Eu sei, parece bobo: lógico que o seu sonho não é ter uma jaqueta de franja. Sonho é uma coisa grande. Um objetivo mais distante, né?

Ok, a bolsa pode ser mais barata do que a casa própria, mas eu vou te contar uma coisa: é essa bolsa, ou essa jaqueta, ou essa blusinha (ou, pior, todas elas juntas) que estão te deixando mais longe do seu sonho.

A cada 300 reais numa bolsa nova, você está literalmente 300 reais mais distante do seu sonho. É matemática, gente. Pura e simples.

Não, eu não tô falando pra você não comprar a bolsa. Quem tem que decidir isso é você. Eu só tô falando pra você pensar nisso, nessa balança. Esse post é sobre consciência e consciência é pensar sobre os seus atos e tomar decisões mais de acordo com os seus objetivos. Então, na próxima vez que você quiser uma bolsa, bote ela na balança. Você realmente precisa dela ou ela só vai te deixar um pouquinho mais longe dos seus sonhos?

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