H&M lança nova campanha para promover sua linha de roupas recicladas
3 de setembro de 2015 POR Jojo COMENTA AQUI!
A H&M acaba de lançar esse comercial aqui:

Com participação de Tess Holiday e Iggy Pop, o vídeo desafia os clichês da moda e incentiva a reciclagem de roupas.

O “Garment Collecting Initiative” da H&M não é novo. Lançado em 2013, a ideia era incentivar a doação de roupas usadas (de qualquer marca ou modelo) em troca de descontos por roupas novas.

Desde então, mais de 14 mil toneladas de roupas foram deixadas em lojas da rede ao redor do mundo. Boa parte delas vai para doação, outras são reutilizadas e se transformam em outros produtos (como materiais isolantes ou panos de limpeza). O restante, por fim, é usado para produção de novas roupas, mais especificamente uma linha de jeans intitulada “Close the Loop” (Feche o Ciclo).

O vídeo acima marca o lançamento da segunda coleção da linha, produzida com 20% de materiais reciclados.

Sei lá, fiquei com uma sensação meio ruim depois de ver o vídeo. Fiz questão de entrar na página do projeto e ler tudinho. Joguei no Google e li várias matérias sobre o assunto.

Já tem um tempo que praticamente todo dia eu recebo uma mensagem de alguém me mandando ver The True Cost, documentário disponível no Netflix que mostra o outro lado da indústria da moda. Tá aqui o trailer só pra quem não viu ainda entender um pouco do que se trata:

Há duas semanas eu finalmente sentei no sofá e apertei o play. Sem computador nem telefone nas mãos. Atenção total na tela.

O filme é uma faca no peito. Sentada no sofá soluçando, senti um misto de vergonha e culpa. Culpada pela conivência, envergonhada pelo egoísmo.

A beleza de um filme como esse é que não dá pra voltar atrás. Depois de vê-lo é impossível tirar os fatos da cabeça.

Eu adoraria olhar para essa campanha da H&M e pensar: “Que legal! Que iniciativa bacana!”. Mas tá difícil ver as coisas assim.

Numa das passagens do documentário Livia Firth (diretora criativa da Eco-Age e criadora do Green Carpet Challenge) faz uma declaração durante a Fashion Summit de 2014 em Copenhagen. O que ela diz resume muito do que falamos aqui na segunda-feira.

“Do ponto de vista do consumidor, é realmente democrático comprar uma camiseta por 5 dólares, uma calça jeans por 20? Eles estão nos fazendo acreditar que somos ricos porque conseguimos comprar muito. Mas a verdade é que eles estão nos deixando mais pobres e a única pessoa que está ficando rica é o dono da fast fashion.”

Mais adiante, na mesma mesa redonda, Livia questiona Helena Helmersson, diretora de sustentabilidade da H&M:

“Você falou sobre um comprometimento de tentar oferecer um salário minimamente justo. O que isso significa? Como definir um salário minimamente justo em Bangladesh? E ter um projeto piloto em 3 fábricas e até 2018, só 15% das fábricas vão ter acesso a isso? Isso não é bom o suficiente.”

A resposta de Helena é um tanto evasiva, mas nem vou entrar nesse mérito porque a conversa é longa. Consegui achar o vídeo do painel inteirinho no You Tube aqui. Tem meia horinha e vale a pena ver porque expõe muitos lados dessa história.

A verdade é que eu acho que as coisas estão começando a mudar e eu acho que muito desse início tem a ver com a pressão que a indústria da moda de forma geral (não só a H&M e não só as fast fashion) tem recebido.

Quando eu vejo esse comercial sobre reciclagem, infelizmente, eu tenho que concordar com a Lívia. Isso ainda não é bom o suficiente. Mas é o começo. E ele está acontecendo porque as pessoas estão começando a se importar cada vez mais com isso. E estão começando a buscar alternativas. Comprar de produtores locais, comprar de quem garante procedência, de quem apoia iniciativas de desenvolvimento social.

Eu sei que muitas vezes isso não é possível. E acho utópico pensar em nunca mais na vida pôr o pé numa fast fashion. A gente que não é rico e tem que fazer o dinheiro render sabe o quanto alguns obamas ou dilmas fazem diferença. Mas eu acho importante mesmo que cada um faça sua reflexão individual do que pode fazer. Que mudanças realistas você pode promover na sua vida, no seu jeito de comprar pra ajudar a mudar essa indústria?

Pode ser comprar com menos frequência? Pode ser buscar novas marcas e depender menos das fast fashion pra se vestir? Pode ser participar mais ativamente de movimentos como o Who Made my Clothes? Pode. Pode. Pode.

Três vezes por semana, a caminho do meu curso, eu passo na frente de uma H&M enorme. Hea duas semanas, não tenho vontade de entrar.