A inspiração que vem das coisas tristes
4 de novembro de 2015 POR Jojo COMENTA AQUI!

Eu comecei esse post ontem, sentada no aeroporto em São Francisco, antes de embarcar pra cá. Achei que ia conseguir terminar antes de entrar no avião e, mesmo se não terminasse, achei que o existia uma certa possibilidade do avião ter wifi. Ledo engano em ambas as frentes. Não deu tempo de escrever tudo e não tinha nem sinal de wifi (nem daqueles que cobram uma fortuna por cinco minutos de acesso).

Mas a verdade é que eu tava com uma saudade danada de postar por aqui. Entre a ressaca do Halloween e a mega arrumação de mala pro Brasil, o fim de semana foi intenso e acabou não dando tempo de sentar pra escrever.

Enfim, depois de 20 horas de viagem, cá estou eu, no sofá da casa da minha amiga enquanto ela dorme e eu aproveito os efeitos do fuso pra terminar o que comecei a há 10.400 quilômetros de onde me encontro agora.

Bem, semana passada eu vi um bando de coisas interessantes por aí e, apesar de já ser segunda-feira terça-feira e o nosso post de inspiração geralmente rolar no domingo, resolvi abrir uma exceção. Até porque aqui no Brasil foi feriado ontem, então não tô nem tão atrasada assim.

Bora lá.

SOBRE O CÂNCER DE MAMA:

Uma das coisas mais legais que vi por aí esse mês foi essa campanha em homenagem aos 20 anos do projeto Câncer de Mama no Alvo da Moda. Eu acho que qualquer esforço é válido pra conscientizar as pessoas sobre essa doença terrível e as formas de detectar seus sintomas logo no início. Mas, confesso, nunca prestei muita atenção nesses comerciais de TV com celebridades fazendo caras e bocas.

Não foi a toa que, quando comecei a ver esse vídeo sendo compartilhado na minha timeline, achei meio estranho e acabei clicando meio a contragosto. E eu não poderia estar mais enganada. A campanha é linda, sensível e emocionante e eu chorei horrores vendo.

SOBRE A NOVA CAMPANHA DA BARBIE:

Falando em comerciais, a Mattel lançou uma nova campanha para Barbie aqui nos EUA. O comercial é bem fofo e mostra que, com uma Barbie nas mãos, meninas podem ser o que quiserem. O comercial é realmente bem fofo, dá uma olhadinha.

A verdade é que num momento em que a gente tá, cada vez mais, jogando a M… no ventilador e demonstrando que a luta por igualdade ainda está longe de acabar, a minha sensação é de que a Mattel anda bem atrasada (e não é a toa que as vendas da Barbie continuam caindo). Sim, eles lançaram uma linha com dezenas de etnias diferentes, mas cadê a Barbie com cintura de gente normal? Essa ainda não temos sinal de vir por aí.

SOBRE A OVERDOSE DAS MÍDIAS SOCIAIS

Uma menina australiana que, com 16 anos, estourou nas redes sociais. Pelas fotos do Instagram, Essena O’Neill tinha a vida perfeita: centenas de milhares de seguidores atraídos por sua barriga chapada, seus looks fofos e suas selfies com sorriso aberto.

Pois Essena acaba de dar um basta em tudo isso. Hoje com 18 anos, ela se diz cansada de viver uma mentira: “Eu estava viciada no que os outros pensavam de mim.” Para provar que tudo não passava de uma encenação de felicidade, Essena está reescrevendo as legendas de todas as suas fotos no Instagram. O motivo é simples: agora ela quer que as legendas falem a verdade. Dá uma olhada nas novas legendas de algumas de suas fotos.

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“Barriga pra dentro, pose estratégica, peitos puxados pra cima. Eu só quero que as meninas mais nvoas entendam que isso não é natural, nem legal, nem inspirador. É uma perfeição construída para chamar atenção.”

 

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“A única coisa que me fez sentir bem esse dia foi essa foto. Que deprimente. Ter um corpo sarado não é a única coisa que nós humanos somos capazes.”

Não tem como não ler a história de Essena e não olhar pra nossa própria vida e a forma como lidamos com as redes sociais. A overdose de conexão, o vício dos likes. Importante sempre lembrar que realmente somos capazes de muito mais do que isso.

SOBRE ASSÉDIO E TUDO O QUE ELE GERA

Em meio a tantos relatos corajosos da campanha #meuprimeiroassédio da Think Olga, me deparei com o relato de Luísa Guimarães. Uma carta aberta no Facebook em que ela conta, não sua primeira experiência de assédio, mas aquela que marcou sua vida e deixou feridas que até hoje ela está tentando curar.

O relato de Luísa é assustador especialmente porque podia ter acontecido com qualquer uma de nós. Qualquer uma.

Antes de sair de casa ontem pra pegar o avião, o Marquinhos me abraçou e pediu pra eu tomar cuidado. A verdade é que, quando a gente morava aqui, ele me pedia isso o tempo todo. Mas, hoje, ouvi o pedido com um aperto no coração sentindo a seriedade da frase. E fiquei triste em pensar que estou voltando pro meu país e sei que vai ser difícil me sentir segura como me sinto do outro lado do mundo.

Eu sei. Esse post não foi dos mais felizes. Não me leve a mal. Não tô deprimida nem nada. Mas é que, às vezes, a gente tem que olhar pras coisas ruins e deixar que elas nos inspirem também. Que inspirem as mudanças.

Bom resto de semana, pessoal.