Dois assuntos e uma reação: oi?
29 de Fevereiro de 2016 POR Jojo COMENTA AQUI!

Cês me perdoem, mas ontem eu tava muuuuuito ocupada comemorando o meu aniversário de 1 ano de casada e não consegui postar 🙂 Bom motivo, né?

De qualquer jeito, duas coisas rolaram essa semana e eu não queria deixar de colocar aqui na nossa rodinha de debates. Então, vamo lá.

SOBRE A FERNANDA TORRES

Tudo começou quando a Fernanda Torres foi convidada a escrever para a coluna #Agordaéquesãoelas da Folha de São Paulo. Em seu texto (aqui) a atriz faz uma crítica a vitimização feminista na sociedade em que vivemos hoje. Fala que rejeita a campanha anti fiu fiu, acha o flerte um estado de graça e considera uma sociedade em que todos são neutros uma desgraça (palavras da própria atriz). Fernanda finaliza sua coluna afirmando:

“Nunca fui mulher suficiente para chegar a se homem.” 

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Pois é.

Fico pensando o que leva uma pessoa bem informada, culta e influenciadora a achar que é ok escrever um texto desses.

Não deu outra. A internet caiu sobre Fernanda como um tsunami.  Muita gente se pronunciou nas redes sociais (aqui dá pra ver alguns exemplos), mas a melhor resposta ao texto que encontrei por aí foi essa, escrita pela Carol Patrocínio em que a jornalista rebate cada trecho do texto original da atriz.

A repercussão foi tanta que Fernanda resolveu se pronunciar publicamente pedindo desculpas pela atitude. Na mesma coluna da Folha, a atriz publicou o texto intitulado Mea Culpa (aqui) em que basicamente reconhece que errou feio, errou rude.

Muita gente achou a postura da Fernanda digna e humilde. De admitir de forma tão pública e direta que realmente errou. Mas daí eu dei de cara com esse texto da Stephanie Ribeiro e preciso dizer que concordei com muita coisa.

De verdade, no mundo em que vivemos hoje, com toda a informação que a gente tem disponível, uma pessoa na posição da Fernanda, com toda exposição que ela tem, com seu poder de influência, deveria realmente se informar mais, ler mais e pensar mais antes de dar sua opinião sobre assuntos sérios como esse.

SOBRE O OSCAR

Não se fala sobre outra coisa a não ser a tão aguardada vitória do Leonardo DiCaprio ontem no Oscar (aliás, adorei o discurso dele sobre aquecimento global e mudanças climáticas, vale ver aqui). Tanto que nem se ouve mais falar sobre a polêmica que surgiu por conta da ausência de atores negros indicados (em nenhuma categoria pelo segundo ano consecutivo). Rolou até um boicote por parte de vários profissionais da indústria que promoveram a hashtag #OscarsSoWhite (“Oscar tão branco”) para chamar atenção para a questão. O diretor Spike Lee e o casal de atores Will e Jada Smith foram alguns dos mais vocais sobre o assunto.

Muita gente foi contra o boicote, argumentando que indicações da Academia são dadas levando em conta o nível de performance dos atores naquele ano e não em sua cor. E que o grande problema, na verdade, é que faltam papéis para negros na indústria.

Daí que, no meio dessa discussão toda, eu dei de cara com esse vídeo maravilhoso do programa do John Oliver (amo ele), publicado uma semana antes da premiação.

O vídeo explica, de forma bem humorada porém muito contundente, como, mesmo quando papéis de diferentes etinias existem, Hollywood trata de dar um jeitinho de enfiar um ator branco no lugar.

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Pois é. Essa também foi a minha reação, Nicki. Tipo: “Oi?”

Sim, ao longo da história da indústria isso já aconteceu muuuuitas vezes e continua acontecendo ainda hoje. Personagens negros, latinos, asiáticos, árabes encarnados por atores brancos.

O motivo? Segundo o diretor Ridley Scott, é inviável produzir um filme de 140 milhões de dólares e dizer que quem vai estreá-lo é o “Mohamed não sei o que lá de não sei aonde”. Pois é, a verdade é que o buraco disso tudo é bem mais embaixo.

Por mais bizarro que possa parecer, ainda teve gente rindo disso tudo ontem. Em seu discurso de abertura, o apresentador da premiação, o ator e comediante Chris Rock, abordou o tema de um jeito que, pra mim, soou contraditório. Ele começou ironizando a polêmica, tirou sarro de Jada e mencionou que, lá na década de 60, ninguém tava preocupado com isso porque eles tinham questões “de verdade” pra protestar. Pois é. Mas, pouco depois, no mesmo monólogo, mencionou violência policial contra negros, e chegou a admitir o racismo de Hollywood. Pra quem não viu, tá aqui.

Acho que já escrevi demais por hoje, especialmente porque esses dois assuntos já são pano pra manga pra refletirmos muito. Acho que a moral da história do He-Man de hoje é que devemos ter mais empatia, pensar antes de falar e procurar entender mais a fundo questões que ainda impactam de forma negativa tanta gente. Assim a gente não fala besteira, não propaga injustiças e ainda ajuda o mundo a ir ficando cada vez melhor.