Uma ode aos “piores” looks do Oscar
2 de Março de 2016 POR Jojo COMENTA AQUI!

Sempre que rola Oscar, ou qualquer grande premiação dessa natureza, eu me preparo psicologicamente pra minha timeline se transformar num mar de opiniões aleatórias de cada um dos looks que cruza o tapete vermelho. A verdade é que, de uns anos pra cá, com a proliferação das redes sociais, comentaristas experts em moda passaram a brotar do chão aos montes.

Se na Copa do Mundo somos 200 milhões de treinadores, no Oscar viramos, pelos menos, uns 100 milhões de críticos de moda, um mais impiedoso do que o outro. E, posso falar uma coisa? Tá chato demais isso.

E pensar que tudo começou há tão pouco tempo. Mais precisamente em 1995, quando a infâme Joan Rivers foi contratada para cobrir o tapete vermelho antes da premiação e perguntar para as atrizes a notória questão: “O que você está vestindo?”.

De lá pra cá, Joan morreu, mas seu legado continua mais vivo do que nunca na forma de centenas de jornalistas que cruzam o tapete a cada edição do prêmio, repetindo seu mantra. E dá-lhe lista de melhores vestidos, dá-lhe indicação de “vencedora do red carpet”, dá-lhe risos irônicos pra qualquer um que fuja do padrão de elegância que alguém, um dia, ditou e ninguém nunca se deu o trabalho de refutar.

Basta lembrar do icônico vestido de cisne da Bjork, em 2001.

BjorkQuando questionada sobre a repercussão gerada pela roupa, Bjork respondeu:

“A crítica escreveu a respeito da minha roupa como se eu quisesse ter vestido um tubinho preto da Armani e acabei errando, como se eu estivesse querendo me encaixar. Óbvio que eu não estava querendo me encaixar.”

E esse é o grande problema por trás dessa orgia crítica em que se transformaram os tapetes vermelhos. Em eventos que  teoricamente premiam a criatividade, estamos ficando experts em massacrá-la.

Não me leve a mal, eu também sou apreciadora de um belo vestidão de gala. Daqueles que fazem a gente esquecer toda a lógica e querer ser princesa mesmo. Mas moda é sobre diversidade, criatividade, auto-expressão. E nem todo mundo gosta ou se identifica com as mesmas coisas (ainda bem, né?).

Então, vamos pensar no Oscar desse ano. Esse que aconteceu no domingo e em que uma senhora chamada Jenny Beavan subiu ao palco para receber o prêmio de melhor figurino. Jenny é, nada mais, nada menos, do que a responsável pelo figurino incrível de Mad Max. Diga-se de passagem, essa é a décima vez em que Jenny é indicada pela Academia e a segunda vez que leva o homenzinho dourado pra casa.

Tudo seria lindo se o visual de Jenny não tivesse sido motivo de chacotas e críticas fervorosas. Teve até um pessoal que resolveu que não valia a pena aplaudir enquanto Jenny caminhava em direção ao palco. Tudo porque ela estava de calça jeans preta, jaqueta de couro (vegan) e sapato fechado. Tudo porque ela queria ser ela mesma.

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Segundo suas próprias palavras:

“Eu não uso saltos e tenho costas largas. Eu fico ridícula em um belo vestido de gala. Eu só gosto de me sentir confortável e, até onde eu sei, eu estou bem vestida”

Não estou defendendo que Jenny deveria ter ganho o prêmio de mais elegante do evento (e nem sei se concordo que esse prêmio deveria existir). Mas admiro imensamente a força de sua personalidade e sua perseverança em ser apenas quem é.

Precisamos parar de reprimir a individualidade alheia como se isso fosse uma afronta aos nossos gostos pessoais. Como disse a própria Jenny em seu discurso de aceitação do prêmio, precisamos ser mais gentis uns com os outros. Eu não poderia concordar mais.