Você conhece o AfrikaBurn?
28 de Abril de 2016 POR Julia Franco COMENTA AQUI!

No mesmo dia em que o Coachella estava terminando (aliás, cadê as fotos dos looks, Jojo?), um outro festival abria seus portões lá do outro lado do mundo (ou melhor, aqui do outro lado do mundo).

Dia 25 de abril começou o AfrikaBurn, um festival no meio do deserto aqui na África do Sul, que celebra a arte, auto-expressão, vida em comunidade, resiliência e a transitoriedade das coisas ao nosso redor.

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O AfrikaBurn é uma espécie de irmão do Burning Man, que rola todo ano no deserto de Nevada nos EUA. O evento, que começou em 1986, hoje reúne cerca de 50 mil pessoas na cidade temporária de Black Rock City, construída especialmente para o Burning Man anualmente. Lá, nada é vendido, e a ideia é viver de troca, tanto de produtos quanto de experiências.

Da mesma forma, o AfrikaBurn (criado pelos mesmo organizadores do Burning Man) foi criado em 2007 e acontece em Tankwa Karoo, na África do Sul, e reúne anualmente cerca de 10 mil pessoas.

Uma das coisas mais legais de ambos os festivais é que quem constrói o AfrikaBurn são os próprios visitantes. Por conta disso, o evento tem personalidade própria e acaba sendo visto como uma experiência única que atrai gente do mundo inteiro. Não é a toa que os ingressos são super concorridos (o primeiro lote foi vendido em pouco mais de 1 minuto).

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Por isso tudo, resolvi dividir com vocês algumas curiosidades e um pouco da minha sobre o AfrikaBurn pra vocês terem uma ideia melhor do que eu tô falando:

– assim como no Burning Man, não dá pra comprar nada lá. A carteira pode ficar em casa sem problema.

– por isso, você precisa se preparar bem e levar tudo o que for necessário para sobreviver por uma semana no deserto. Isso inclui: equipamento para acampar, comida, bebida, água pra tomar banho. Enfim, tudinho mesmo que você vai precisar.

– uma prática comum é o “Gifting”, ou seja, presentear alguma coisa pras outras pessoas. Pode ser alguma coisa que você goste de fazer (uma comida, por exemplo), ou até uma experiência: organizar uma festa, montar uma escultura (ou ajudar na construção da escultura de alguém) ou até oferecer um workshop, dar aula de alguma coisa, ensinar uma dança. Fica a seu critério.

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– da mesma forma, aproveite o que os outros tem a oferecer. Experimente coisas novas, aprenda novos skills e conheça outras pessoas.

– seja mais autêntico, esse é O LUGAR pra ser você. Moda aqui, mais do que nunca, é uma ferramenta de auto-expressão. Se você achar que, lá no fundo, é um unicórnio, então não perca a oportunidade de ser um. Use uma fantasia, ou sua roupa preferida, ou até mesmo roupa nenhuma. Vale tudo.

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– tudo o que você levou, volta com você. Não há lixeiras pelo festival, cada pessoa é responsável pelo seu lixo. Todo guardanapo, latinha, qualquer lixo MESMO, volta com você.

– é no meio do deserto, ou seja, calorão durante o dia e muito frio à noite. Então, esteja preparado para ambos!

– leve o que for realmente necessário. No primeiro ano que eu fui, o nosso acampamento tinha 30 pessoas e parecia quase uma loja de departamentos com muita comida, fantasias, decoração e gadgets diversos (lanternas, chuveiros portáteis, mesas e até freezer). Só percebemos o nosso exagero quando fomos empacotar tudo pra voltarmos pra casa. Muita coisa que achávamos que ia ser super útil nem foi usado.

– uma das coisas mais legais do evento são as enormes esculturas de artistas e coletivos diferentes que são levadas até o meio do deserto e, ao fim do festival são queimadas (sim! Pegam fogo de verdade). A ideia é simbolizar que tudo na vida é transitório, nada dura para sempre. E, por mais que seja lindo ver esse espetáculo todo, confesso que dá uma dor no coração ver todo aquele trabalho dos artistas der destruído.

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– Inspire-se! Eu acredito que parte da minha inspiração em monta a Shwe surgiu da minha primeira experiência no AfrikaBurn. Saí de lá encantada com tantas cores, estampas e pessoas fazendo coisas super bacanas que queria fazer também. Quem sabe sua próxima empreitada também esteja te esperando lá?

O AfrikaBurn é realmente um festival incrível. Especialmente porque ele não é sobre música, ele é sobre se colocar num ambiente totalmente fora da sua realidade e te fazer mergulhar em criatividade e conexão com outras pessoas. Eu aconselho demais a experiência.

O que acho mais bacana de mostrar esse tipo de evento aqui é que muita gente já ouviu falar do Burning Man, mas não sabia que o AfrikaBurn existia. Pronto! Agora você já sabe!

Infelizmente, esse ano não consegui ir, mas, se você está planejando uma visita à África do Sul no ano que vem, vale a pena tentar conciliar com o festival. E me avisa que a gente se vê lá!

Julia