Vamos falar sobre estupro?
31 de Maio de 2016 POR Jojo COMENTA AQUI!

Quem andou acompanhando o meu Insta ou o Snap viu que passamos um final de semana delicioso no Yosemite National Park. Por motivos dessa viagem não teve post de Alimento pro Pensamento no domingo.

Poréeeem, não tinha como deixar essa semana passar sem falar sobre um assunto que invadiu as redes sociais com uma matemática cruel:

30 homens. 1 mulher. 1 vídeo publicado no Twitter.

Sim, o estupro coletivo de uma menina de 16 anos publicado na internet. E isso foi só o início de uma série de atrocidades que eu vi por aí essa semana. Atrocidades que me levaram numa montanha russa de emoções ruins, tristeza, desesperança, raiva.

Por isso tudo, mesmo sendo terça-feira, não tinha como não falar sobre isso, tentar digerir esses sentimentos e, de alguma forma, alimentar uma discussão positiva sobre essa história.

A verdade é que, apesar de ter me deparado com comentários assustadores de gente questionando, culpando ou simplesmente descredenciando a vítima, eu encontrei outros que me fizeram acreditar que existe luz no fim do túnel. E hoje eu queria dividir esses últimos com vocês. Posts, artigos, vídeos e opiniões de gente homens e mulheres que saíram em defesa de Beatriz, levantaram pontos importantes sobre a cultura do estupro e como precisamos mudar o nosso comportamento pra que esse tipo de atrocidade não aconteça. Bora?

1. ESTUPRO É ERRADO E PONTO FINAL

Bora começar pelo básico, né? Estupro é errado e ponto final. Não existe “mas”. Não existe justificativa. Não importa se ela andava com traficantes. Não importa se ela tinha filho. Não importa se ela um dia disse que queria dar pra X pessoas. Não importa se ela usava roupa curta. Não importa se ela usava drogas. Não importa se tem foto com arma. Estupro é errado e ponto final.

O Cauê Moura do canal “Desce a Letra” no YouTube fez esse vídeo sensacional falando exatamente sobre isso.

Obrigada, Cauê. Falou tudo.

2. JORNALISTAS, APRENDAM A FALAR SOBRE ESTUPRO

Engana-se quem acha que só teve gente loka e sem informação falando abobrinha sobre esse caso. Pelo contrário, teve muito jornalista por aí dando a notícia de forma tendenciosa, preconceituosa e ignorante, reforçando um ponto de vista que acaba por denegrir a vítima e diminuir a importância do crime.

Por isso, achei GENIAL esse manual criado pela Think Olga para uma cobertura jornalística mais justa dos crimes cometidos contra a mulher.

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Coisas como não romantizar os agressores e o crime, não desmerecer a vítima ou julgar seus atos pós crime são cuidados essenciais para não normatizarmos esse tipo de atrocidade na mídia.

3. A CULPA NUNCA É DA VÍTIMA

Vale repetir sempre e fazer disso um mantra: a culpa NUNCA é da vítima. Porém, ainda tem muita gente que tenta apontar comportamentos da vítima como facilitadores da violência sexual. Para combater esse tipo de pensamento, a fotógrafa Grace Brown criou o projeto Unbreakable, em que ela fotografa sobreviventes de abusos sexuais segurando cartazes com frases do agressor.

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“Pare de fingir que você é um ser humano”

Tem uma matéria todinha sobre o trabalho de Grace no Hypeness.

Ah, e só pra repetir mais uma vez, aqui vai o tweet da Emma Watson da semana passada:

EmmaWatson

4. A CULTURA DO ESTUPRO ESTÁ NO NOSSO DIA A DIA

Sim, são as pequenas coisas que acontecem todos os dias e a gente nem percebe que acabam perpetuando a cultura de que a mulher e seu corpo estão a serviço do homem. Coisas como criticar a roupa de uma mulher pela quantidade de pele à mostra ou por quão justa ela está no corpo. Ou educar meninas para servirem e serem recatadas e meninos para serem garanhões pegadores.

Dois posts falaram disso muito claramente. O primeiro é esse aqui, uma lista bem didática de coisas que as pessoas fazem (sim, homens e mulheres) e que precisam mudar se a gente quer mesmo construir uma sociedade em que esses crimes não aconteçam.

O outro foi esse post/desabafo emocionante da Carol Burgo em seu perfil do Facebook. Direto ao ponto, sem meias palavras, Carol resumiu uma vida de machismos diários tão presentes na nossa sociedade que parecem a norma. Mas não deveriam ser.

5. MARCAS E CELEBRIDADES, SE POSICIONEM

Esse post pode não parecer que tem muita coisa a ver com a temática central desse blog. Mas, do fundo do meu coração, eu acho que cada um de nós precisa fazer a sua parte pra melhorar o mundo em que a gente vive.

Conversar com o nosso grupo de amigos, usar os nossas redes sociais pra falar sobre o assunto, levar informação pro máximo de pessoas possível é essencial pra não deixarmos que mais crimes como esse aconteçam. Seria, no mínimo, um desperdício não aproveitar esse espaço e a quantidade de gente que passa por aqui todos os dias pra falar sobre esse assunto.

É preciso se posicionar. É preciso se envolver. Celebridades, se envolvam! Usem seus perfis no Instagram com milhões de seguidores para falar disso! Marcas, gastem o seu dinheirão de marketing em campanhas que falem sobre isso!

Aqui vão dois exemplos de marcas que tomaram algum tipo de atitude sobre o assunto:

O Spotify fez uma playlist chamada #estupronãoéculpadavítima . Ao abrir a lista você se depara com uma série de músicas cujos nomes formam uma mensagem de repúdio ao crime cometido na semana passada.

Spotify

Isso é só o começo. Precisamos de mais gente atuando, questionando, levantando a discussão. Gente engajada em mudar esse cenário e garantir que coisas horripilantes como o que aconteceu semana passada não aconteçam jamais.