4 expressões da moda pra gente abolir já
18 de agosto de 2016 POR Jojo COMENTA AQUI!

Eu já fui dessas pessoas que coleciona Vogues. Nem vou fingir que lia todas, não lia. Mas adorava chegar na banca, ver quem tava na capa e comprar a edição do mês. Quando dava tempo, eu fugia da galera do trabalho pra almoçar sozinha e folhear a revista enquanto comia o meu prato preferido no restaurante do lado da agência (picadinho com purê de batata baroa, seguido de brigadeiro quente). Era o meu momento de indulgência absoluta. Era o meu ritual, o momento Carrie Bradshaw, aquela horinha em que eu me sentia parte de um mundo da moda que eu achava lindo, mesmo sendo tão distante da minha realidade.

A verdade é que sempre que eu terminava de ler a revista, eu me sentia um tiquinho pior do que antes. Um pouquinho menos bonita. Um pouquinho menos na moda. Um pouquinho mais pobre. Não que eu não me achasse bonita, nem fora de moda e muito menos pobre. Mas o comparativo com a vida que eu lia nas páginas da Vogue era tão cruel que não tinha como competir.

Eu nunca seria tão linda quanto as atrizes, tão magra quanto às modelos, tão na moda quanto as editoras, nem tão rica quanto a seleção de produtos “tem que ter” pedia que eu fosse.

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Por muito tempo eu aceitei essa invejinha que vinha ao virar a última página e pedir a conta do restaurante. Essa inveja da vida que eu não tinha e provavelmente nunca teria. Eu me convenci de que era normal, que fazia parte da minha busca por inspiração, e que, por mais que eu não conseguisse chegar lá, dava pra chegar perto.

De uns tempos pra cá eu diminuí consideravelmente o volume de publicações de moda que leio com frequência. Talvez por conta de uma maturidade que chegou sem eu perceber, talvez por um senso crítico mais crítico que veio com o meu acesso a mais informação (busquem conhecimento, gente. O ET Bilu já dizia e faz muito sentido). Só sei que eu enchi o saco.

Enchi o saco de virar a página e ler que preciso ter alguma coisa que a minha conta bancária não permite (nem o meu armário ou a minha vida cotidiana pedem). Enchi o saco de saber que o troço que comprei semana passada na liqui (e que eu achei que era um super achado) já está fora de moda.

As revistas de moda ainda trazem inspiração? Sim, com certeza. Os editoriais de moda ainda são uma maneira de esticar a cordinha da criatividade? Sim, com certeza. Mas eu acho que tá mais do que na hora do jornalismo de moda deixar de lado certos vícios que fecham a cabeça da gente ao invés de abrir. Que inspiram devoção cega ao invés de questionamento e adaptabilidade. Que pregam exclusão ao invés de inclusão.

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Sabe o que é pior? Você sai das revistas e vai pros blogs achando que a coisa muda de figura, que o discurso vai ser mais inclusivo, menos ditador. Mas eu cansei de ver blogueira repetindo a mesma fórmula da revista, me dizendo o que eu tenho ou não que ter, o que eu posso ou não posso usar dependendo do formato do meu corpo. Eu mesma já caí nesse discurso várias vezes e hoje me policio muito mais pra não falar as mesmas besteiras de antes.

Por isso que eu resolvi fazer esse post. Quase como um manual pra mim mesma do que nunca falar por aqui. E pra você que tá aí lendo ficar atenta e não cair mais nesse conto. No conto de que você não tem livre arbítrio pra escolher o que vestir, o que comprar, o que achar bonito.

Esse assunto vai longe (e eu já escrevi muito por hoje), mas pra ser bem prática e começar de algum lugar, aqui vão as quatro expressões de moda que eu mais abomino (e ainda é tudo em inglês pra irritar mais um tiquinho). A minha dica: se você esbarrar com alguma delas por aí, vire a página, ou feche a revista, o site, o blog e siga feliz com o seu dia.

1. MUST HAVE 

Em português, o bom e velho “tem que ter”. Pode abrir qualquer revista de moda que você vai encontrar uma expressão dessas salpicada em algum lugar.

É cruel, é ditador e não leva em consideração a sua vida, a sua conta bancária e o seu estilo pessoal. Quem disse que top metalizado cropped combina com você? E se não combina, por que você tem que ter? Fora isso, como vamos ver a seguir, o “must have” de hoje é o “must jogar fora” de amanhã.

2. DO’S & DONT’S

Alguém dizendo pra você o que é “certo” e o que é “errado”. Exemplos que a gente vê todo dia:

“Baixinha não pode usar saia midi”

“Gordinhas não podem usar listras horizontais”

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Notícia em primeira mão pra todo mundo que solta essas pérolas: moda não é matemática. Não é uma ciência exata. E não tem certo e errado.

Isso tudo de do’s & dont’s só tem um nome e, desculpem a expressão, se chama cagação de regra.

Só você pode dizer o que é certo ou errado pra você. E a diferença entre um e outro deve ser sempre: o que te faz se sentir bem e bonita e o que não te faz se sentir bem e bonita. Ponto.

Lógico que nada impede que você busque informação e soluções pra se sentir mais bonita no seu dia a dia, bem como opiniões de gente que você admira (pode ser uma amiga, um parente, uma blogueira, uma atriz, uma colega de trabalho, enfim), mas a palavra final do que funciona pra você será sempre sua e nunca de uma revista.

3. IN/OUT

Sabe aquela sessão que aparece nas revistas toda vez que muda a estação? Aquela mesma que te fala o que você vai ter que jogar fora que não serve mais pra nada e o que você vai ter que comprar novinho porque senão o povo vai te olhar feio na rua só porque a estação mudou.

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Aliás estação no Brasil é uma coisa super marcante, né? Inverno neva, outono cai as folhinhas, né? Acho que não.

Olha, vou contar pra vocês, se São Pedro não tivesse criado as estações do ano, a moda teria abraçado essa tarefa pra si só pra fazer a gente comprar mais.

Chega disso. Vamos reutilizar as nossas coisas? Vamos usar nesse inverno o que a gente usou no inverno passado? Vamos pensar de forma mais atemporal e menos trimestral? O bolso e o mundo agradecem.

4. IT GIRL

Pra finalizar. Vamos parar de selecionar meninas pra estarem num pódio e o resto da humanidade para estar lá no chão se achando pior do que elas?

Todas somos incríveis. Todas temos qualidades e defeitos e isso não nos faz melhores ou piores. Nos faz únicas. Abaixo as it-girls. Todas somos igualmente maravilhosas, tá?

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