A Vogue americana e a repressão sexual feminina
8 de setembro de 2016 POR Jojo COMENTA AQUI!

Dando continuidade à minha crescente implicância com a Vogue…

Semana passada dei de cara com uma matéria da Vogue americana de Abril de 2015. Não sei nem como nem porque a tal da matéria apareceu ali pelo meio do meu caminho digital, mas, por conta de um título que me fez ter calafrios, fui lá e cliquei.

O nome da matéria era:

walk_of_shame

Numa tradução livre seria alguma coisa como: “É assim que se faz uma Caminhada da Vergonha – com estilo”. Se você não é muito familiarizada com essa expressão, eu explico. Walk of shame, ou Caminhada da vergonha é uma expressão utilizada nos EUA para se referir àquele momento em que uma mulher volta pra casa pela manhã, ainda com as roupas da noite anterior, depois de ter dormido na casa de algum carinha.

E a matéria falava sobre como esse momento do “Walk of Shame” já é humilhante o suficiente pra você ainda ter que passar por ele mal vestida. E dá várias opções de looks pra deixar esse momento menos constrangedor.

Vou retirar um trecho direto da matéria pra vocês verem que eu não tô exagerando:

“É uma cena que dá pena, esse momento de pedir o ‘táxi para uma pessoa’, e, apesar de não gostarmos de admitir, todas já passamos por isso.”

Pois é, você não leu errado.

A verdade é que ainda vivemos num mundo em que a sexualidade de uma mulher é motivo de vergonha. Isso a gente já sabe né? A gente vê exemplos dessa repressão sexual feminina todos os dias. Quando um cara fala que não namoraria com uma menina que transa na primeira ficada. Quando uma mulher rotula outra de piranha/piriguete/biscate/________ (insira aqui sua ofensa) porque ela gosta de roupa curta.

giphy

Pois é, a reação é meio essa mesmo, minas. Ainda há muito o que lutar.

E é por isso mesmo que dá tanta raiva de ver uma revista, voltada pro público feminino, com um poder de influência gigantesco, usando esse poder pra simplesmente propagar uma cultura machista e repressora. Ah! E lógico, sem esquecer o toque de futilidade que já caracteriza a publicação.

Sim, p0rque não basta se sentir envergonhada por estar voltando pra casa depois de uma bela noite de sexo, ainda tem que se preocupar se você está fazendo a caminhada da vergonha com estilo. Meu Deus! Que ano é hoje? Ok que a coluna saiu no ano passado, mas pelo tom podia mesmo ter sido escrita em 1915.

Fico realmente curiosa de saber como uma mulher como Lena Dunham (super ativista da liberdade sexual feminina) reagiria à tal coluna. E Rihanna? Imagino Riri revirando os olhos. Afinal, a bichinha é o retrato da #belarecatadaedolar, né?

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Ambas já saíram na capa dessa mesma revista. Assim como Cara Delevigne, que nunca escondeu seu incômodo com rótulos relacionados à sexualidade. E Beyoncé que acaba de ser premiada por seu último disco, inteirinho sobre empoderamento negro e feminino.

Emma Watson (embaixadora da ONU Mulheres), Serena Williams (a maior tenista de sua geração). São tantos exemplos de mulheres incríveis que emprestaram suas imagens para ajudar a vender mais Vogues que fico me questionando o que é verdade e o que é marketing. Quem representa mais o pensamento editorial dessa revista? As mulheres fortes que estampam suas capas, ou matérias como essa, que recheiam suas edições?

Vogue, decida. Estou aqui rezando pra você escolher o lado bom da força.