Alimento pro pensamento: de Black Mirror ao racismo institucional
20 de novembro de 2016 POR Jojo COMENTA AQUI!

Domingão de preguiça é sinônimo de post caprichado de Alimento pro Pensamento, né? Então bora tirar um tempo pra se inspirar um pouquinho? Aqui vão os assuntos das últimas semanas que me fizeram parar refletir.

SOBRE BLACK MIRROR E A SONY

Quem já viu Black Mirror? A série, originalmente inglesa, que acaba de ser comprada pelo Netflix, mostra cenários e histórias de um futuro não muito distante. E é isso que faz dela um troço tão perturbador de assistir.

Cada episódio é uma história completa que mistura comportamentos humanos que a gente já vê acontecendo hoje em dia, com tecnologias que certamente estão prestes a serem inventadas. Por isso mesmo, é impossível ver a série e não se imaginar na pele daquelas pessoas, impossível não pensar que isso tudo pode se tornar realidade em pouco, bem pouco tempo.

Um bom exemplo é o anúncio da Sony de que acaba de patentear a primeira lente de contato capaz de gravar vídeos. A ideia é que as pessoas possam gravar momentos marcantes de sua vida e assistí-los depois.

O mais louco? O Black Mirror fez um episódio inteirinho sobre isso laaaaá na primeira temporada. Olha o trailer do episódio aqui:

Vale assistir a série e tentar adivinhar qual a próxima tecnologia a ganhar o mundo real.

SOBRE RACISMO INSTITUCIONAL

O Governo do Estado do Paraná postou ontem essa campanha incrível contra o racismo. A ideia? Mostrar como os preconceitos com relação a raça estão entranhados nas pessoas, inclusive em situações que deveriam demandar imparcialidade. Dá uma olhada:

Revoltante, né? Mas o primeiro passo pra lutar contra isso é olhar pra dentro e reconhecer o problema. Chega de dizer que racismo não existe, né? Vamos reconhecer que existe e merece militância diária e coletiva pra acabar.

SOBRE O MACHISMO NO MASTERCHEF

Essa semana o machismo ficou escancarado no episódio do MasterChef Profissionais. Um dos participantes, depois de não ouvir a opinião de sua colega de time e centralizar as tarefas do desafio, resolveu mandar a moça pegar uma vassoura e varrer o chão. Sim, em rede nacional. Ao tentar justificar sua atitude, o participante Ivo conseguiu ser ainda mais infeliz, afirmando que “trabalhar com mulher na cozinha é mais difícil porque elas são mais frágeis”. Mais detalhes aqui ó.

O mais triste é que atitude do chef é apenas o reflexo de um universo de cozinhas profissionais dominado por homens. Louco, né? Pra cozinhar em casa e não ganhar um tostão a gente serve, mas para as refinadas cozinhas profissionais, aí a mulher é frágil.

Por isso que é bacana ver mulheres como a Roberta Sudbrack, Carla Pernambuco e a própria Paola Carosella botando pra quebrar e mostrando pra todo mundo que, sim, podemos tudo e mais um pouco.

SOBRE DESAFIAR CLICHÊS DA MASCULINIDADE

Achei linda demais essa matéria do Saia Justa, do Gnt, sobre um grupo de homens tricoteiro em Santiago, no Chile. Uma das maneiras de combater o machismo é justamente quebrando os estereótipos masculinos de que homem precisa ser durão, insensível e não pode fazer coisas consideradas “femininas” (como cuidar da casa e dos filhos). O tricô então surge justamente como uma ferramenta de quebra desses paradigmas. Dá uma olhada:

SOBRE MACHISMO E FEMINISMO

Só pra finalizar, queria compartilhar esse pedacinho de uma entrevista que fizeram com o Mário Sérgio Cortella (escritor e filósofo brasileiro) sobre a diferença entre machismo e feminismo.

Pronto! Agora pode passar parqueie amigo que se faz de vítima quando o assunto “feminismo” pinta na mesa do bar.

Boa semana, galera!