Jojo entrevista: Thais Farage
29 de agosto de 2018 POR Jojo COMENTA AQUI!

Quando a Thais apareceu aqui no blog pela primeira vez, eu ainda não a conhecia pessoalmente, mas admirava muito o seu estilo tão próprio e o seu jeito de tratar e desmistificar a moda. Admirava tanto que, no post em questão, eu montei um look descaradamente inspirador (pra não dizer copiado) em um look dela. Por incrível que pareça, talvez um dos poucos looks em que ela não estava de preto.

De lá pra cá, eu tive a honra de conhecer a Thais pessoalmente, numa mesa de bar na Vila Madalena, o que torna o encontro ainda mais gostoso. E descobrimos que temos muito mais em comum do que imaginávamos, a começar pelo signo: somos duas arianas daquelas que se identificam quase que ao pé da letra com a nossa descrição zodíaca (pense em teimosia, liderança, perseverança e emoção a flor da pele, é nóis).

Nesses últimos dois anos também sinto que a minha admiração pela Thais cresceu exponencialmente. Provavelmente porque hoje essa admiração não está restrita ao seu estilo ou à sua relação dela com a moda. Hoje eu olho pra Thais e eu vejo a mulher incrível, a super mãe que faz questão de mostrar a realidade da maternidade (especialmente a realidade de uma mnulher que concilia maternidade e trabalho) e eu vejo uma empreendedora muito apaixonada pelo que faz.

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E é por essas e outras que eu convidei a Thais pra aparecer aqui no Jojo Entrevista, uma coluna em que eu convido mulheres fodásticas pra compartilharem seus conhecimentos, experiências e aprendizados com a gente. Especialmente pra desmistificar alguns aspectos relacionados ao empreendedorismo e à indústria da moda e pra inspirar mulheres que querem trilhar caminhos parecidos.

Entonces, sem mais delongas, vamo pra esse papo que tá inspirador meeeeesmo!

Jojo – Você trabalhou com moda em situações bem diferentes, do cinema à consultoria de estilo pessoal. Como foi que rolou essa mudança e o que você carregou de uma experiência pra outra?
Thais – Eu sempre amei fazer cinema, eu era assistente de direção de arte e amava muito o trabalho, mas odiava o formato. Em cinema a gente traballhava 12 horas por dia, 6 dias por semana. Por mais workaholic que eu seja (e sou, haha), eu preciso ter tempo de abstração, de ver os amigos, de ler, de pensar… em cinema não existia esse tempo, eu só trabalhava, meus amigos eram só os do job que eu tivesse, era tipo viver num big brother eterno. Daí, quando mudei pra SP (sou formada pela UFF e morava, até 2011, no Rio) eu percebi que o mercado era super diferente e eu precisaria recomeçar, construir todo um networking de novo. Preferi mudar de carreira, achei que era a hora e foi mesmo o  melhor momento.

Acho que eu trouxe do cinema muuuita coisa importante pra minha carreira hoje, mas vou destacar duas: sinto que  minha educação visual veio totalmente do audiovisual e isso me traz referências diferentes e bem legais. Além disso, eu aprendi a trabalhar fazendo filme, publicidade, série. Aprendi a achar uma solução e não um problema, a pensar criativamente, a planejar pouco e realizar mais. Quem é ‘treinado’ pelo cinema trabalha diferente, é um ritmo insano, uma pressão surreal de ‘não pode errar’, é muito dinheiro envolvido. E, por mais que eu seja bem critica à maneira como cinema é feito no Brasil, eu sei que aprendi muito sobre fazer mais e reclamar menos.

Jojo – Se tem um troço que eu acho que muita gente tem dificuldade de lidar é mudança, mas você parece não ter medo. Mudou de cidade, mudou de carreira e vive se envolvendo em projetos novos. O que a mudança representa pra você e como você aprendeu a lidar tão bem com ela?
Thais – Não sei muito de onde veio isso de curtir mudança (sou ariana, será que é isso?), mas pode ser  porque eu vim de uma cidade onde eu odiava morar e eu sonhava em sair de lá, então, não sei, vai ver vem daí…  Eu já morei em 5 cidades diferentes (leopoldina, juiz de fora, niterói, baraboo – nos eua, rio e agora são paulo), mas nem sempre foi fácil. Sempre digo que mudar pra SP foi super difícil, demorei 2 anos pra começar a me entender aqui. Foi muito-muito-muito difícil tb mudar de carreira, eu já estava numa posição confortável em cinema e foi dureza começar do zero de novo (e foi do zero, mesmo!). Mas eu não sei ficar infeliz, se tá ruim eu não sossego enquanto não fica bom, não sei explicar, mas não curto ficar reclamando, curto achar uma saída, resolver. Acho que  mudança pra mim significa isso: achar um jeito de ser mais feliz. 

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Jojo – Você sempre trabalhou de forma mais independente, né? Isso foi uma coisa das áreas que você atuou e atua ou você sempre teve um bichinho empreendedor dentro de você? 
Thais – Sempre curti trabalhar pra mim. Minha mãe era super empreendedora, acho que aprendi com ela. Sempre admirei muito a paixão dela pelo trabalho e sempre busquei a minha… e eu não sei fazer o que eu  não quero fazer, eu só faço bem feito se eu acredito e amo. Em cinema eu sempre trabalhei como se o filme fosse meu, eu sempre vesti a camisa do que eu fazia, sempre fiz com 100% de empenho e acho que isso talvez seja a minha característica empreendedora…. porque se você não fizer com corpo e alma, não vira. Eu não sou super organizada, nem super planejada, muito menos uma super visionária. Eu sou apaixonada, faço do jeito que eu acredito, não tenho preguiça e isso eu acho que é o meu talento, mais do que moda ou cinema. 
Jojo – Como é essa coisa e empreender, trabalhar de casa muitas vezes e ser mãe? 
Thais – É difícil, é incerto, é matar um leão todo dia, porque não tem salário, não tem férias, 13º, sou eu sozinha, sem nenhuma garantia. Mas eu só tive um trabalho com salário e horário na vida toda: trabalhei em uma empresa de design de interiores para loja assim que saí de cinema e não sabia o que fazer… e eu odiava. Eu sinto que morria todo dia quando eu só precisava ir lá, trabalhar e voltar pra casa. Pra estar viva eu preciso ter espaço pra pensar, pra alterar totalmente o caminho, pra testar coisas novas, pra errar e eu funciono bem sob pressão. Enfim, é difícil, mas pra mim seria mais difícil estar num esquema empresa. 

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Jojo – Qual a dica que você dá pra outras mulheres que também estão nessa jornada da maternidade mas tem um projeto que querem tirar do papel?
Thais – Faça hoje. Faz qualquer coisa, faz com o que você tem aí nas mãos, mas faz, peloamordedeus. Eu sinto que as pessoas gastam muita energia falando, pensando, planejando e não se movem. Eu acredito em fazer, em se mexer. Falaria também pra fazer com constância, mesmo que seja 1 hora por dia, faça todo dia. É como qualquer outra coisa da vida, não tem milagre, é grãozinho por grãozinho, todo dia. Mulher sofre muito por se achar uma fraude, por não ser boa o suficiente, por achar que precisa estudar mais, saber mais, mas ó, essa sensação não vai embora e estudar mais é um projeto pra vida toda. Vai fazendo e estudando, não espera. E quem cria filho é capaz de construir um foguete sozinha e ir pra lua, ou seja, pode fazer que eu tenho certeza que você já tá pronta. <3
Fala se essa mulher não é maravilhosa? Aliás, quem não segue ela no Insta, já vai clicando aqui pra seguir djá! A Thais posta coisas super interessantes e úteis, desde desabafos e descontruções sobre sua rotina louca de mãe/mulher/empreendedora, dicas práticas de moda e estilo, agenda de workshops incríveis que ela dá por aí (alguns inclusive focados em mães) e, mais recentemente, ela começou uma série de posts sobre paternidade. Na série, ela convida pais a responderem a pergunta (sempre feita a mulheres): “Como você concilia paternidade e carreira?”. O resultado são relatos verdadeiros de pais presentes e conscientes da própria responsabilidade na criação de seus filhos e, de quebra, uma descontrução da ideia de que só mulher é que tem que se virar nos 30 pra trabalhar e cuidar das crianças.

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E se você tem uma dica de uma mulher que você admira e gostaria de ver por aqui falando um pouco mais da sua vida e do seu trabalho, não deixa de comentar aí embaixo. Mulher inspiradora nunca é demais!